Programa de IA pode revolucionar ao identificar sinais de dor em recém-nascidos

Um grupo de médicos e engenheiros brasileiros aposta no uso da inteligência artificial (IA) para enfrentar um dos maiores desafios da maternidade e neonatologia: identificar a dor em recém-nascidos, que ainda não conseguem se expressar.

O projeto desenvolve um sistema capaz de analisar sinais e indicar possíveis desconfortos, com potencial para aprimorar diagnósticos e tornar o cuidado neonatal mais preciso.

Programa de IA desenvolvido por médicos brasileiros pode ajudar a identificar sinais de dor em recém-nascidos. – Foto: Reprodução/Ilustrativa

Dor e o dilema dos recém-nascidos

Para Ruth Guinsburg, professora de pediatria neonatal da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenadora-geral da UTI Neonatal do Hospital São Paulo, quando pensamos em definir a dor, automaticamente nos direcionamos para algo verbal.

Mas, isso é praticamente impossível para recém-nascidos, incapazes de verbalizar e explicar o que sentem. “Por exemplo, eu pergunto para você: ‘você tá com dor? Que tipo de dor é?”, contextualiza a professora.

No mundo todo, os médicos usam a Neonatal Facial Coding System (NFCS), traduzido para Sistema de Codificação Facial Neonatal, que funciona como uma escala internacional que avalia o tipo de dor dos recém-nascidos, baseada nas expressões faciais do bebê; observe abaixo:

Bebê em avaliação de dor

Expressões como essas são analisadas juntamente com dados fisiológicos, como a temperatura, a frequência cardíaca ou a pressão arterial. Assim, os médicos avaliam as informações e definem o que pode ser feito para diminuir a dor da criança.

Em 2015, médicos da Universidade Federal de São Paulo e engenheiros da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, se uniram no desafio de refinar esse conjunto de informações.

Durante quase dois anos, câmeras instaladas em cima das incubadoras gravaram as expressões dos recém-nascidos no dia a dia do tratamento.

As imagens — cerca de 300 horas de gravações — viraram um grande arquivo que agora está sendo analisado por um programa de inteligência artificial. A esperança é que o resultado dessa análise ajude os pediatras a identificar com mais precisão as dores que os bebês estão sentindo.

Os engenheiros colocaram essas imagens num programa de inteligência artificial e criaram um modelo que foi usado de forma pioneira no Hospital São Paulo, da Unifesp.

O modelo cria gráficos que mostram as expressões que indicam a dor. Por enquanto, o programa está sendo desenvolvido apenas para uso em hospitais.

“Uma ferramenta desse tipo vai permitir você capturar, monitorar e mensurar a dor, detectar a dor, de forma a identificar os momentos que realmente são necessárias uma intervenção, uma intervenção médica”, explica Lucas Pereira Carlini, pesquisador da FEI.

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