O governador Otaviano Pivetta confirmou, nesta segunda-feira (20), que o atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) passará a operar de forma integrada com o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, em Cuiabá.
A medida será formalizada por meio de um termo de cooperação e prevê mudanças na estrutura do serviço de urgência e emergência na capital.
Segundo Pivetta, a proposta segue o modelo já adotado no interior do estado, onde o atendimento pré-hospitalar é realizado pelos bombeiros.
“Estamos fazendo um termo de cooperação e os serviços passam a ser executados pelos bombeiros, como já ocorre em todo o interior do Estado. O Samu é só aqui em Cuiabá”, afirmou durante coletiva.
Apesar da reestruturação, o governo diz que a “identificação” do Samu será mantida. A justificativa para a mudança é que a integração deve reduzir o tempo entre o pedido de ajuda e o atendimento e ampliar a cobertura, já que o Corpo de Bombeiros possui mais bases distribuídas pelo estado.
“Nós somos Estado. Samu, Corpo de Bombeiros, é tudo Estado. Temos que nos unir para prestar um melhor serviço”, disse Pivetta.
O governador afirmou também que planeja ampliar a presença dos bombeiros na região metropolitana, por meio da criação de novas unidades entre elas, uma prevista para o bairro Pedra 90.
Reações contrárias
A mudança ocorre em meio a um cenário de tensão após a exoneração de 56 profissionais do Samu, entre enfermeiros, técnicos de enfermagem e motoristas. A decisão provocou reação de trabalhadores da área da saúde.
Em nota, o Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde de Mato Grosso (Sisma-MT) criticou a medida e alertou para possíveis impactos no atendimento. Para a entidade, a reestruturação representa um “desmonte” do serviço e pode comprometer a assistência à população.
“Quando você reduz equipes e desestrutura o atendimento, bairros inteiros ficam descobertos. Famílias passam a depender de um sistema fragilizado, sem a mesma capacidade de resposta. Quem vai sentir na pele é a população”, afirmou o sindicato.
O Sisma também aponta que a redução de equipes já teria reflexos no tempo de resposta e na capacidade de atendimento, com risco de agravamento do cenário.
A entidade defende que o Samu é resultado de anos de experiência e especialização no atendimento de urgência e que mudanças estruturais devem ser conduzidas com planejamento e diálogo com os profissionais da área.
“Estamos falando de vidas”, conclui a nota.
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