Catarata: como identificar e tratar perda de visão em idosos

Considerada umas principais doenças oculares e responsável pela maior parte dos atendimentos feitos em consultórios oftalmológicos no Brasil, a catarata acomete principalmente a população idosa e é apontada como a causa de 47,8% dos casos de cegueira no mundo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) cita que o problema atinge 17% das pessoas entre 55 e 65 anos, 47% entre 65 e 75 anos e 73% após 75 anos. Pesquisa do Conselho Federal de Medicina (CFM) aponta que a maior demanda por cirurgias eletivas no SUS é de catarata.

Causa de cegueira mais comum no mundo, catarata também possui a cirurgia mais procurada de todas. – Foto: Reprodução

No entanto, apesar da alta taxa de incidência, a cirurgia para correção da doença é considerada um dos procedimentos mais seguros da medicina, com taxa de sucesso superior a 99% quando bem indicado. Este índice faz com que a cirurgia de catarata seja a mais realizada no mundo, permitindo a reversibilidade da cegueira.

O médico oftalmologista especialista em catarata, córnea e cirurgia refrativa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Thiago Machado Chacur, explica que o envelhecimento é o principal fator para o desenvolvimento da doença e aponta alguns dos sintomas mais comuns.

“A partir dos 50 anos já podemos observar os primeiros sinais, mas ela se torna mais comum após os 60. A visão embaçada é o sintoma mais comum, mas não é o único. Também pode ocorrer dificuldade para enxergar à noite, sensibilidade à luz, halos ao redor das luzes e alteração frequente do grau dos óculos”, descreve.

No dia a dia, segundo o especialista, muitos pacientes acometidos pela catarata relatam incômodo com faróis à noite, dificuldade crescente para dirigir, assistir televisão, ler e reconhecer pessoas, efeitos que impactam diretamente na independência e qualidade de vida, dificultando a autonomia dos pacientes e comprometendo atividades básicas.

Causas e fatores de risco

A catarata é a perda de transparência do cristalino, que é a lente natural dos olhos. Com o tempo, essa “lente” vai opacificando, dificultando a entrada de luz no olho. Embora não provoque dor como um tipo de sintoma perceptível, a perda da capacidade visual progressiva é um sinal típico de catarata.

Além da idade, alguns fatores aumentam o risco de desenvolver catarata como diabetes, exposição solar excessiva sem proteção, uso prolongado de alguns medicamentos como corticoides, tabagismo e traumas oculares.

O médico acrescenta que pessoas com diabetes precisam ter atenção redobrada. “O diabetes aumenta os radicais livres, acelera o envelhecimento do cristalino e pode antecipar o surgimento da catarata, além de estar associado a outras doenças oculares, principalmente na retina”, expõe.

Diagnóstico e tratamento

Conforme o médico, o diagnóstico é simples e feito por meio de exame oftalmológico no consultório. Normalmente, pode ser detectada em exames de rotina, mesmo antes dos sintomas. “Muitas vezes identificamos catarata inicial antes mesmo de o paciente perceber qualquer alteração visual”, destaca Thiago.

Dessa forma, um diagnóstico precoce permite acompanhamento adequado e planejamento do melhor momento para cirurgia, além de descartar outras doenças associadas.

“O Conselho Brasileiro de Oftalmologia recomenda consulta anual com médico oftalmologista, mesmo sem queixas. Ao perceber qualquer alteração visual, o ideal é procurar avaliação. Não é necessário esperar a catarata “amadurecer”, enfatiza o médico.

Thiago Chacur
Especialista em oftalmologia, Thiago Chacur explica principais sintomas e impactos da catarata no dia a dia dos pacientes – Foto: Assessoria Hospital dos Olhos

Procedimento cirúrgico para reversão

Com tratamento acessível, a única forma de cura é a realização cirurgia, conforme o oftalmologista, e quanto antes diagnosticar, melhor o resultado.

“O tratamento cirúrgico é altamente eficaz e devolve a visão na grande maioria dos casos. A cirurgia consiste na substituição do cristalino opaco por uma lente que é implantada dentro do olho. É uma cirurgia complexa, porém rápida, com duração de cerca de 10 a 15 minutos, muito segura, realizada com anestesia local e sem necessidade de internação hospitalar”, cita.

Além disso, a recuperação costuma ser rápida. O médico conta que muitos pacientes já percebem melhora nos primeiros dias, com estabilização visual em algumas semanas. Na maioria dos casos, o retorno às atividades é rápido, com poucas restrições no pós-operatório.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia