Mineração ilegal avança e pressiona 93% das Terras Indígenas de MT

A exploração mineral ilegal avança em ritmo acelerado em Mato Grosso e pressiona 69 das 74 Terras Indígenas do estado, segundo revelou o boletim de “Pressões e Ameaças às Terras Indígenas Bacia do Rio Juruena” da Operação Amazônia Nativa (OPAN), divulgado em março de 2026.

Mineração pressiona Terras Indígenas em Mato Grosso, segundo boletim de monitoramento. – Foto: TVCA.

Os dados levantados com base no monitoramento dos anos de 2024 e 2025 mostram que 93% das Terras Indígenas (TI) têm pedidos no entorno para a mineração. As perdas, em grande maioria, envolve a busca por ouro.

Segundo o boletim, o estudo avaliou os processos minerários dentro das terras e, principalmente, no entorno de até 10 km para considerar a área de impacto direto da mineração sobre as terras. No entanto, o destaque especial do estudo é para a Bacia do Rio Juruena onde há forte avanço da atividade ilegal.

O garimpo não recua sem resistência

A Terra Indígena Sararé é apontada como a mais crítica. Mas o estudo destaca outras áreas como:

  • Vale do Guaporé
  • Escondido
  • Japuíra
  • Erikpatsa
  • Apiaká do Pontal e Isolados
  • Piripkura
  • Kawahiva do Rio Pardo

Vale do Guaporé se destaca em número de processos

A Terra Indígena Vale do Guaporé concentra o maior número de processos minerários, somando 143 no entorno, segundo o boletim.

O que são processos minerários? São registros administrativos que indicam as diferentes fases da atividade minerária, como pedidos de pesquisa, autorização e exploração de recursos no subsolo de uma determinada região.

A maior parte desses processos, segundo o documento, está concentrada nas fases iniciais, como a autorização de pesquisa, que busca identificar o potencial mineral das áreas, mas que já pode permitir extração por meio de mecanismos mais flexíveis. A presença desses processos no entorno das terras indígenas evidencia o avanço do interesse minerário sobre esses territórios indígenas.

Sararé: 40 anos de exploração

A Terra Indígena Sararé, onde vive cerca de 200 indígenas do povo Nambikwara, enfrenta uma pressão minerária que não é recente. Os primeiros registros de exploração na região datam de 1979, segundo o boletim, com lavras de ouro, e desde então o território passou por sucessivas ondas de interesse mineral, com novos pedidos nos anos 1990, 2010 e mais recentemente entre 2020 e 2025.

Hoje, a área se tornou o principal foco de garimpo ilegal do país, com mais de 1.800 alertas registrados só em 2025 devido à facilidade de acesso, nas proximidades da BR-174. Cercada por processos minerários, a maioria voltada ao ouro, a terra indígena sofre com degradação ambiental severa, rios contaminados por mercúrio e cianeto.

A atividade ilegal alterou cursos d’água, provocou desmatamento e comprometeu a qualidade da água utilizada pelas comunidades. Além dos danos ambientais, a presença de garimpeiros trouxe violência para dentro do território, com relatos de ameaças, tiros e atuação de facções criminosas.

Segundo o Instituto Brasileiro dos Recursos Naturais e Renováveis (Ibama), a área já teve cerca de 4,2 mil hectares devastados pelos garimpos, equivalente a mais de 4 mil campos de futebol.

DEVASTAÇÃO Vista aérea com área degradada pelo garimpo na Terra Indígena Sararé

4,2 MIL HECTARES JÁ FORAM DEVASTADOS PELO GARIMPO ILEGAL

DIMENSÃO Estrutura usada por garimpeiros ilegais na região da Terra Indígena Sararé

ÁREA DESTRUÍDA EQUIVALE A MAIS DE 4 MIL CAMPOS DE FUTEBOL

COMBATE Ação de fiscalização e combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé

MAIS DE 420 OPERAÇÕES JÁ DESATIVARAM CERCA DE MIL ACAMPAMENTOS

RANKING Paisagem da Terra Indígena Sararé, no oeste de Mato Grosso

SARARÉ LIDEROU O DESMATAMENTO ENTRE TERRAS INDÍGENAS NA AMAZÔNIA EM 2025

FOTOS: TVCA, IBAMA E POLÍCIA FEDERAL

  1. Governo tem até março para reagir contra garimpo que atinge 200 indígenas da Sararé

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