1 tonelada de emagrecedores do Paraguai vai para o fogo

Uma ‘montanha’ de emagrecedores do Paraguai serão incinerados neste fim de semana pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), por meio da Coordenadoria de Vigilância Sanitária Estadual (CVISA). Os produtos foram apreendidos durante fiscalizações realizadas em Mato Grosso do Sul.

Emagrecedores do Paraguai em apreensão | (PMRv/Divulgação)

Entre os materiais que serão destruídos estão medicamentos emagrecedores análogos de GLP-1, canetas emagrecedoras, peptídeos utilizados para fins estéticos e esteroides anabolizantes de fabricação paraguaia. As marcas são variadas, como TG, Lipoless, Tirzec, Lipoland, Tirzedral, dentre outras.

Os produtos foram apreendidos por serem comercializados de forma irregular e por não possuírem registro ou regularização junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), requisito obrigatório para a venda legal no Brasil.

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De acordo com a SES, a medida faz parte do trabalho permanente de fiscalização desenvolvido pela Vigilância Sanitária Estadual para impedir a circulação de produtos sem comprovação de segurança e eficácia.

As apreensões ocorreram em operações realizadas nos centros de triagem e distribuição dos Correios e em transportadoras que atuam em Mato Grosso do Sul. Desde o início das ações, mais de 20 mil itens irregulares já foram retirados de circulação, avaliados em R$ 10 milhões.

A Secretaria de Saúde destaca que a comercialização e o consumo de medicamentos e substâncias sem autorização da Anvisa representam riscos à saúde da população, uma vez que não há garantia sobre a procedência, composição e condições de armazenamento desses produtos.

A data e local da incineração ainda será definida pela Vigilância Sanitária Estadual.

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Apreensão de emagrecedores do Paraguai nos Correios | (Divulgação/Vigilância Sanitária)

Uso irracional e desenfreado

De acordo com Matheus Pirolo, gerente de Apoio aos Municípios da Vigilância Sanitária, o foco da operação não é combater a tecnologia envolvida nesses produtos, mas sim o uso inadequado e perigoso.

“O principal objetivo não é combater a tecnologia em si, que é muito boa, mas sim o uso irracional dessa tecnologia. Estamos falando de produtos sem controle sanitário, sem registro, sem rastreabilidade, transportados fora das condições adequadas, muitos exigem refrigeração, e sem qualquer acompanhamento médico”, afirmou.

A Vigilância Sanitária alerta que estabelecimentos como clínicas, centros de estética, drogarias e farmácias de manipulação que comercializarem produtos irregulares estão sujeitos a penalidades severas. As multas podem chegar a R$ 30 mil, além de interdição cautelar por até 90 dias e apreensão dos estoques ilegais.

No âmbito criminal, tanto pessoas físicas quanto responsáveis técnicos podem responder por contrabando, crimes contra o consumidor e exercício irregular da profissão. Em casos mais graves, há ainda o risco de cassação do registro profissional junto aos respectivos conselhos de classe.

Via MS: do Paraguai para o Nordeste

Em entrevista ao Primeira Página, o gerente de Apoio aos Municípios da Vigilância Sanitária, Matheus Pirolo, detalhou como a atuação conjunta com os Correios tem intensificado o combate ao envio de emagrecedores ilegais vindos do Paraguai. 

TG, Lipoless, Tirzec, Retratutida, esses são alguns dos medicamentos alvos das apreensões que, segundo ele, vão muito além do volume: elas escancaram esquema sofisticado de distribuição.

Os produtos, proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), são frequentemente escondidos em objetos improváveis. Já foram encontrados dentro de cabeças de bonecas, potes de creme, ursos de pelúcia e até em caixas de tereré. Estratégias que tentam despistar a fiscalização, mas que vêm sendo sistematicamente desmanteladas com o uso de raio-X e monitoramento constante nos centros de triagem.

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Ampolas de emagrecedores contrabandeados estavam escondidos em potes de cremes de cabelo | (reprodução)

Mas o que mais intriga não é apenas a origem desses medicamentos, majoritariamente na faixa de fronteira com o Paraguai, e sim para onde eles vão.

Segundo Pirolo, há um padrão claro: a maior parte dessas encomendas tem como destino a região Nordeste do país. “São objetos postais enviados principalmente da região de fronteira de Mato Grosso do Sul, e o destino frequente é o Nordeste”, afirma.

A repetição desse fluxo levanta suspeitas. Em muitos casos, declarações simples como “urso de pelúcia” escondem um conteúdo de alto valor. “Quem que vai mandar um urso para Maceió?”, questiona o gerente, destacando o nível de desconfiança que certas postagens passaram a gerar.

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