
Empresários dos setores de hotelaria, bares e restaurantes discutiram estratégias para enfrentar as mudanças da reforma tributária durante um workshop realizado nesta terça-feira (3), em Cuiabá. O encontro foi promovido pelo Sindicato Intermunicipal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Mato Grosso (SHRBS-MT) e contou com a participação da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT).
Realizado no Hotel Deville, o evento reuniu empresários, contadores e profissionais do setor para esclarecer dúvidas sobre as novas regras de tributação. As discussões abordaram principalmente a formação de preços, os custos operacionais e o planejamento financeiro dos estabelecimentos.
A iniciativa ocorre em um período de transição para o novo modelo tributário brasileiro. A mudança exige atenção das empresas, que precisam avaliar como as alterações nos tributos sobre o consumo podem afetar suas despesas, contratos, preços e margens de operação.
Planejamento financeiro ganha importância
Na abertura do workshop, a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, destacou que a adaptação à reforma tributária depende de informação e planejamento. Segundo ela, os segmentos de hospedagem e alimentação têm participação relevante na geração de empregos e na atividade econômica estadual.
Mayran afirmou que os empresários precisarão revisar os custos, analisar a composição dos preços e preparar suas operações para as mudanças. A secretária também defendeu o acesso a orientações técnicas para que os estabelecimentos atravessem a transição com maior previsibilidade e mantenham a competitividade.
O secretário adjunto de Turismo, Luis Carlos Nigro, chamou a atenção para os reflexos da reforma sobre a atividade turística. Hotéis, bares e restaurantes integram a estrutura de atendimento aos visitantes que chegam ao estado tanto para viagens de lazer quanto para compromissos profissionais.
Na avaliação de Nigro, mudanças na tributação desses serviços podem repercutir nos custos das empresas e nos preços cobrados dos consumidores. Por isso, acompanhar as novas regras e avaliar seus efeitos sobre cada atividade é importante para o planejamento dos negócios.
Especialistas apresentam situações práticas
As apresentações foram conduzidas pelo professor e consultor tributário André Fantoni, CEO da EcoFiscal. Ele apresentou situações práticas relacionadas à reforma e discutiu possíveis efeitos das mudanças sobre a gestão financeira dos estabelecimentos.
O workshop também teve a participação de Franciellen Galiciano, responsável pela Auditoria Corporativa da Rede Deville de Hotéis, de Curitiba (PR). A especialista abordou aspectos tributários e financeiros específicos da hotelaria, setor que possui custos e modelos de operação próprios.
O que muda com a reforma tributária
A reforma tributária brasileira foi estabelecida pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023, e regulamentada, em parte, pela Lei Complementar nº 214, de 2025. O novo sistema prevê a substituição gradual de tributos sobre o consumo por dois impostos sobre valor agregado: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), administrado por estados e municípios. Também foi criado o Imposto Seletivo para produtos e serviços definidos na legislação.
A implementação ocorre por etapas. Em 2026, começa a fase inicial de testes da CBS e do IBS, com alíquotas de referência de 0,9% e 0,1%, respectivamente, observadas as regras legais de compensação e dispensa de recolhimento aplicáveis. A substituição dos tributos atuais será gradual, com mudanças previstas até 2033.
Para hotéis, bares e restaurantes, o acompanhamento da regulamentação é especialmente importante. A legislação prevê regras específicas para determinadas atividades, incluindo regimes diferenciados para serviços de hotelaria e alimentação. Isso significa que os efeitos financeiros não devem ser avaliados apenas pela alíquota geral, mas também pelo enquadramento de cada operação e pelas regras de créditos tributários.
Na prática, a preparação envolve revisar sistemas de emissão fiscal, contratos com fornecedores, processos contábeis e critérios de formação de preços. A análise deve considerar o perfil de cada estabelecimento, já que os impactos podem variar conforme o tipo de serviço, a estrutura de custos e o regime tributário adotado.
Informação ajuda empresas a se preparar
O encontro em Cuiabá buscou aproximar empresários e especialistas em um momento de mudanças nas regras fiscais. Para os participantes, compreender os detalhes da reforma tributária é uma etapa importante para identificar riscos, organizar o fluxo financeiro e avaliar decisões comerciais durante a transição.
Empresários do setor podem acompanhar as orientações da Receita Federal, do Comitê Gestor do IBS e dos órgãos fazendários estaduais, além de buscar apoio contábil e jurídico para analisar as particularidades de cada negócio. A consulta às normas oficiais é essencial antes de qualquer alteração na política de preços ou na estrutura fiscal das empresas.
O CenárioMT acompanha as discussões sobre os efeitos da reforma tributária na economia estadual e a adaptação dos setores produtivos às novas regras. A consulta às fontes oficiais e a orientação de profissionais especializados ajudam os empreendedores a tomar decisões com mais segurança.
Reportagem baseada em informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec-MT), pelo Sindicato Intermunicipal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Mato Grosso (SHRBS-MT), na Emenda Constitucional nº 132/2023 e na Lei Complementar nº 214/2025. Sob supervisão de Débora Siqueira.
Empresários podem consultar a legislação e buscar orientação contábil especializada para avaliar como as mudanças tributárias se aplicam à realidade de seus estabelecimentos.