Desde que passou a atender pacientes por vício em jogos de aposta, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em Campo Grande já atenderam 317 pessoas, sendo 105 somente em 2026.
A dependência em jogos e apostas pode comprometer a saúde mental, relações familiares, vida profissional e situação financeira. Dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) mostram que os atendimentos triplicaram em apenas um ano. Veja abaixo:
- 2024 – 50 atendimentos;
- 2025 – 162 atendimentos;
- 2026 – 105 atendimentos (em apenas 6 meses).
Para o psiquiatra Carlos Renato Periotto, é importante saber diferenciar o hábito de apostar da doença.
“A maioria das pessoas que aposta faz isso como uma forma de entretenimento, da mesma maneira que alguém vai ao cinema ou jogar videogame. Apostar, por si só, não é uma doença”, disse.
Ainda conforme o especialista, o problema começa quando o lazer dá lugar aos prejuízos importantes na vida da pessoa. Nesses casos, o quadro pode ser caracterizado como Transtorno do Jogo (Gambling Disorder, em inglês). Essa é uma condição já reconhecida pela psiquiatria e descrita no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.
“O ponto de virada não é o valor apostado nem a frequência das apostas. O que caracteriza a doença é a perda de controle, a persistência do comportamento apesar das consequências negativas e o sofrimento ou prejuízo significativo que isso causa na vida da pessoa”, frisou.
Sinais
Periotto ressalta que alguns sinais merecem atenção,quando passam a se tornar parte da rotina da pessoa. A Sesau orienta que pessoas com transtorno relacionado aos jogos procurem atendimento nas Unidades de Saúde da Família. Casos mais graves podem ser acompanhados pelos CAPS, com atendimento multiprofissional.
Veja alguns dos sinais:
- dificuldade para interromper as apostas;
- necessidade de apostar valores cada vez maiores;
- mentiras sobre tempo ou dinheiro gasto;
- isolamento social;
- queda no desempenho profissional ou escolar;
- ansiedade, culpa, vergonha e desesperança;
- endividamento frequente.