Várzea-grandense deixou o calor de 40 °C em Mato Grosso para lutar na guerra da Ucrânia, onde enfrentou temperaturas de até -30 °C. Alan Dias sobreviveu ao conflito e voltou para casa após meses atuando no front.
A guerra, iniciada em 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia, segue concentrada principalmente no leste do país, com combates intensos e presença de voluntários estrangeiros.
Morador de Várzea Grande, Alan passou cerca de sete meses na zona de guerra. Ele integrou o 47º Batalhão de Infantaria e, depois, a Guarda Nacional, atuando em operações especiais na região de Kharkiv, especialmente na cidade de Kupiansk.
Segundo ele, a decisão de se alistar foi voluntária. “Fui pela vontade de viver essa experiência e defender um país que considerei oprimido. Sabia do risco constante”, afirmou.
No front, enfrentou combates diretos com tropas russas, inclusive em áreas urbanas destruídas. Em uma das operações, o grupo permaneceu mais de 12 horas em confronto. Alan foi ferido nas costas e também presenciou a morte de colegas durante o período na guerra.
Frio extremo durante a guerra virou risco de morte
Durante o inverno, as temperaturas chegaram a -30 °C, agravando as condições de sobrevivência. “À noite, a gente dormia abraçado para evitar morrer de hipotermia”, relatou.
Segundo ele, o cenário era de destruição, com uso intenso de drones e artilharia, o que dificultava a permanência em abrigos seguros. Pelo desempenho nas operações, Alan e os integrantes da equipe receberam uma condecoração do governo ucraniano por honra e coragem nas missões realizadas no leste do país.
Após meses no conflito, ele decidiu retornar ao Brasil e optou por manter a chegada discreta. “Cheguei com a cabeça cheia. Queria ficar em casa e aproveitar minha família. Sabia que muita gente ia perguntar, então preferi não postar nada”, disse.
O mato-grossense afirma que os filhos eram um dos principais pensamentos durante as missões. Apesar de já ter recebido propostas para atuar em outros conflitos, inclusive no Oriente Médio, ele afirma que, por enquanto, pretende permanecer no país.
A guerra na Ucrânia segue sem previsão de término, com disputas concentradas no leste do país.
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