Um ano após o feminicídio de Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, morta a facadas pelo companheiro Daniel Bennemann Frasson, em Lucas do Rio Verde (MT), a filha da vítima, Caroline Fernandes, publicou nessa quarta-feira (24) uma homenagem para a mãe, relatando como têm sido os dias sem ela. O agressor continua preso preventivamente e aguarda agendamento de data para realização de exame de insanidade mental.
“Um ano que não te vejo, não te toco, que ouço sua voz através de áudios antigos, e que sinto seu cheiro através de uma blusa guardada em um ziplock. Um ano que eu me desespero ao pensar que um dia esse cheiro pode se perder em algum momento”, desabafou a biomédica em postagem no perfil Justiça por Gleici, que mantém no Instagram.
A jovem contou aos seguidores que acordou na quarta-feira com angústia e medo de viver novamente tudo o que passou há um ano e receber um telefonema informando sobre a morte da mãe. “O coração disparou, a garganta deu nó e por momentos, a respiração esqueceu que é involuntária”, citou.
Mesmo em meio à dor, Caroline menciona que a vida a obrigou a seguir em frente, pois não permite “paradas para lamentar” e que descobriu a maternidade e seus desafios. A jovem se refere à irmã mais nova, filha do relacionamento de Gleici e Daniel, que sobreviveu ao ataque no dia da morte da mãe. A menina também sofreu golpes de faca enquanto dormia com a mãe.
“Descobri que sou uma mãe boa e o quão desafiadora é a maternidade, que te admiro ainda mais agora, e que hoje entendo coisas que antes não era capaz de entender”, acrescentou.
Ao final, a jovem conclui que promete lutar por justiça e respeito, pela mãe e pela irmã. “Prometo que não vou entregar as fichas, vou lutar até onde Deus me permitir”, diz trecho.
Acusado aguarda segundo exame de insanidade mental
Ao Primeira Página, o advogado Rodrigo Pouso Miranda, que representa a família de Gleici e atua como assistente de acusação, informou que o processo criminal sobre a morte da vítima permanece paralisado.
Esta é a segunda vez que Daniel Bennemann Frasson passará por exame. O primeiro procedimento foi feito a pedido da defesa, que alega surto psicótico em justificativa do ocorrido. O pedido foi aceito pela Justiça para que ele fosse avaliado por uma junta médica especializada.
Em novembro de 2025, laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec-MT) atestou que Daniel poderia ser considerado inimputável em razão de quadro depressivo. Na prática, a inimputabilidade significa que o acusado não tinha a capacidade de entender o caráter ilícito do ato ou de se autodeterminar no momento de sua prática.

Contudo, em dezembro de 2025, a Justiça acolheu uma manifestação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) em relação ao laudo e determinou a realização de nova perícia médica por junta oficial, composta por pelo menos 3 especialistas em psiquiatria forense.
A decisão aponta que o laudo pericial anterior não apresentou provas suficientes para confirmar que o acusado era totalmente incapaz de responder pelos atos quando o crime foi cometido.
O novo exame ainda não tem data agendada para ocorrer. O advogado Rodrigo Pouso informou que pretende juntar ao processo imagens de câmeras de segurança da casa da família, que não compactua com a tese da defesa de Daniel sobre possível surto.
Ele permanece preso enquanto aguarda os procedimentos.
O Primeira Página entrou em contato com a defesa de Daniel Bennemann Frasson, por meio do advogado Ricardo Monteiro, para uma manifestação sobre o caso, contudo, não houve retorno até a publicação desta reportagem. Espaço segue aberto para posicionamento.
Crime e comoção em Lucas do Rio Verde
O engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson é acusado de matar a esposa, a terapeuta capilar Gleici Keli Geraldo de Souza em 24 de junho de 2025. Em seguida, ele atacou a filha, de 7 anos, que dormia junto da mãe, na casa da família, no bairro Bandeirantes, na cidade de Lucas do Rio Verde.
A Guarda Municipal recebeu o chamado na manhã daquele dia com denúncia de esfaqueamento em uma casa na Avenida das Acácias. No local, a polícia entrou no quarto e encontrou Gleici na cama, sem sinais vitais. Já a filha do casal foi socorrida por amigos da família e encaminhada a um hospital na cidade.

A menina foi transferida para uma unidade hospitalar em Cuiabá e passou dias internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), tendo alta médica posteriormente.
Daniel teria tentado tirar a própria vida no dia do crime e foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros. Ele permaneceu dias internado e posteriormente transferido para uma penitenciária em Sorriso (MT).
O corpo de Gleici foi levado para Tangará da Serra, onde foi velado e sepultado. O laudo da Politec apontou que Gleici foi morta com cerca de 20 facadas.
Meses depois, o juiz Fábio Pettengill, da 2ª Vara Criminal de Lucas do Rio Verde, recebeu a denúncia do promotor de Justiça do MPMT, Samuel Telles, e tornou Daniel réu por feminicídio.
-
Justiça aponta falhas em laudo psiquiátrico de acusado de matar mulher e manda refazer perícia
-
VÍDEO: menina que sobreviveu a 8 facadas em Lucas do Rio Verde se recupera em casa
-
Agrônomo que matou mulher tem alta e é levado para presídio em MT
-
Agrônomo suspeito de matar mulher e ferir filha continua internado
-
Criança de 7 anos esfaqueada pelo pai em MT precisa de doação de sangue
-
Agrônomo é suspeito de matar mulher e esfaquear filha em Lucas do Rio Verde