Três são presos e arsenal é apreendido em investigação de homicídios

A repressão qualificada a crimes contra a vida, a asfixia de redes de apoio a homicidas e o recolhimento de vetores balísticos clandestinos pautaram uma forte ofensiva institucional no Sul do estado. A Polícia Civil deflagrou, na manhã de quinta-feira (2 de julho), a Operação Dom Aquino Segura, resultando na prisão em flagrante de três homens e no confisco de um arsenal de munições, insumos de recarga e dispositivos eletrônicos.

A ofensiva, coordenada pela Delegacia de Dom Aquino com suporte operacional na vizinha Jaciara, visa robustecer o conjunto probatório de dois inquéritos de assassinato registrados no primeiro semestre deste ano na região.

Seis mandados de busca visam esclarecer mortes de Demolincio e Adenir Alves

O esqueleto da Operação Dom Aquino Segura foi montado a partir de representações cautelares assinadas pelo delegado Dario Ferreira, que obteve a expedição de seis mandados de busca e apreensão junto ao Poder Judiciário — sendo cinco cumpridos em bairros de Dom Aquino e um na cidade de Jaciara. O foco central das varreduras é colher provas técnicas sobre a execução de Demolincio Gomes Pereira Filho, de 53 anos, alvejado a tiros em 7 de abril, e sobre o homicídio de Adenir Alves de Freitas, de 52 anos, que desapareceu em 8 de maio e teve o corpo localizado com marcas de disparos em uma fazenda no dia 14 do mesmo mês.

Durante as incursões nas residências dos alvos, os investigadores flagraram condutas delituosas paralelas que culminaram em três prisões em flagrante. Os perfis dos detidos e as respectivas autuações foram divididos na listagem abaixo:

  • Alvo de 27 anos: Autuado em flagrante por crime de posse irregular de munição de arma de fogo de uso permitido;
  • Alvo de 56 anos: Enquadrado por posse irregular de arma de fogo, acessórios e munições, somado ao crime de tráfico de substâncias entorpecentes;
  • Alvo de 37 anos: Detido sob a acusação de embaraço à investigação de organização criminosa (ocultação de provas) e posse de drogas para consumo;
  • Encaminhamento Geral: O trio foi conduzido para a lavratura dos autos e permanece trancafiado em unidades prisionais da região à disposição da Justiça.

Arsenal artesanal, pó de pólvora, chumbo e 14 celulares são enviados à Politec

A varredura minuciosa nos imóveis resultou na retirada de circulação de uma espingarda calibre 36, dezenas de cartuchos intactos e estojos deflagrados de calibres variados, dois coldres de couro, porta-munições e um simulacro de arma de fogo (pistola de brinquedo). Os agentes também localizaram potes contendo pólvora, esferas de chumbo e espoletas, insumos típicos utilizados na recarga e fabricação artesanal de projéteis em áreas rurais.

Além do aparato bélico e de porções de drogas prontas para comercialização, as equipes apreenderam R$ 2,4 mil em cédulas vivas e 14 smartphones. Os aparelhos eletrônicos e as munições foram lacrados e encaminhados à Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) para a realização de exames de extração de dados telemáticos e testes de microcomparação balística, determinando se a espingarda apreendida foi utilizada na execução das vítimas.

Os eixos estruturais e os materiais apreendidos pelas equipes de investigação foram consolidados na tabela abaixo:

Vetor de Investigação Métricas e Insumos Confiscados Função Prática no Inquérito Policial
Homicídios de Foco Casos de Abril (Demolincio) e Maio (Adenir Alves). Identificação de mandantes, executores e motivação dos crimes.
Aparato Bélico Espingarda cal. 36, munições e pólvora artesanal. Análise de balística forense na Politec para confronto com projéteis.
Provas Digitais 14 aparelhos celulares de investigados e suspeitos. Quebra de sigilo autorizada para rastreio de mensagens e geolocalização.
Ativos Fiscais R$ 2,4 mil em dinheiro e porções de entorpecentes. Vinculação de alvos com o tráfico e finanças de facções locais.

O esclarecimento célere de homicídios e o desmantelamento de núcleos de fabricação de munições são apontados por juristas como passos fundamentais para conter as taxas de criminalidade violenta no interior. Ao deflagrar a Operação Dom Aquino Segura e integrar as ações de inteligência com os laudos da Politec, a Polícia Civil qualifica o indiciamento dos suspeitos, impede a impunidade e assegura a ordem e a tranqüilidade social da população de Mato Grosso.

Reportagem baseada em relatórios de cumprimento de mandados da Delegacia de Dom Aquino, boletins de ocorrência da Polícia Civil-MT e guias de depósito de materiais da Politec.

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