Três municípios de Mato Grosso têm mais de 10% dos eleitores classificados como analfabetos no cadastro da Justiça Eleitoral. Nova Nazaré lidera o ranking proporcional, com 16,17% do eleitorado nessa condição, seguida por Campinápolis, com 14,87%, e Santa Terezinha, com 10,12%.
Os dados são do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) e fazem parte do cadastro utilizado para as eleições de 2026.
Em todo o estado, 84.712 pessoas aparecem classificadas como analfabetas entre os mais de 2,6 milhões de eleitores aptos a votar neste ano.
Cadastro não significa que eleitor continue sem saber ler e escrever
O TRE-MT ressalta que os números precisam ser interpretados com cautela. A escolaridade registrada na Justiça Eleitoral é baseada na informação declarada pelo próprio eleitor no momento do alistamento ou durante uma atualização cadastral.
Por isso, estar atualmente classificado como analfabeto não significa, necessariamente, que a pessoa ainda não saiba ler e escrever.
Um eleitor que tenha aprendido a ler e escrever depois da última atualização dos dados, por exemplo, pode continuar aparecendo como analfabeto no sistema da Justiça Eleitoral.
Neste momento, o cadastro eleitoral está fechado para alterações em razão das eleições de 2026.
Segundo o secretário de Gestão de Pessoas do TRE-MT, Gilvan Rodrigues de Oliveira, a classificação reflete a informação que consta no cadastro eleitoral e pode não representar a situação atual de escolaridade do eleitor.
Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis lideram em números absolutos
Quando considerada a proporção do eleitorado, Nova Nazaré, Campinápolis e Santa Terezinha aparecem no topo da lista.
O cenário muda quando são analisados os números absolutos. Nesse recorte, Rondonópolis, Várzea Grande e Cuiabá concentram as maiores quantidades de eleitores classificados como analfabetos em Mato Grosso.
A diferença ocorre porque os três municípios possuem eleitorados significativamente maiores.
O que os números revelam
Para especialistas, os dados eleitorais também ajudam a levantar discussões que vão além das urnas e envolvem educação, desigualdade e acesso à informação.
O professor Jackson Regis explica que é necessário analisar o contexto social e educacional dos municípios para entender o que está por trás dos índices.
Já a neuropsicopedagoga Jucineia Serenato destaca que as dificuldades relacionadas à leitura e à escrita ganham uma dimensão ainda maior em uma sociedade cada vez mais digital. A condição pode representar obstáculos para acessar serviços, buscar informações e exercer direitos.
O cenário também provoca uma discussão sobre participação política. Embora o voto seja facultativo para pessoas analfabetas, elas têm direito de participar das eleições.
Com mais de 84 mil eleitores nessa classificação em Mato Grosso, especialistas apontam que o dado também deve ser analisado sob a perspectiva do acesso à informação, da participação social e das desigualdades existentes no estado.
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