TJMT determina ampliação de leitos em hospital psiquiátrico para atender presos

O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) Orlando Perri determinou que a Secretaria de Estado de Saúde (SES/MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (SEJUS/MT) elaborem e apresentem em 90 dias um plano de ampliação da capacidade de internação de presos no Centro Integrado de Assistência Psicossocial Adauto Botelho, em Cuiabá. A decisão é dessa segunda-feira (27).

O plano deve conter a expansão da capacidade de internação em saúde mental e hospitalar, incluindo leitos de internação para adultos, dos sexos masculino e feminino, e pacientes pediátricos. Além disso, deve apresentar diagnóstico da demanda atual e projetada por internação das pessoas presas, cronograma de implementação, estimativa de custos e indicação de fontes de financiamento.

Ciaps Adauto Botelho é referência em tratamento de saúde mental em Mato Grosso. – Foto: Reprodução

Segundo o desembargador, o Ciaps Adauto Botelho é a principal referência psiquiátrica em Mato Grosso, sendo o local mais indicado para constituir o polo central do suporte de saúde mental do sistema prisional na capital e região.

Conforme Perri, a população carcerária apresenta índices de transtornos psiquiátricos superiores aos da chamada população livre, com quadros de esquizofrenia, transtornos bipolar e de personalidade, depressão grave, psicoses, dependência química e transtorno de estresse pós-traumático, além de elevada incidência de comportamentos auto lesivos e suicídios.

De acordo com o magistrado, este quadro impõe ao estado a disponibilização de leitos tanto para internações de curta quanto de média duração em unidades de saúde mental, além de procedimentos clínicos e cirúrgicos de maior complexidade.

Saúde mental da população LGBT

A saúde mental da população LGBT em situação de cárcere, aponta o desembargador, merece destaque, devido à sua dimensão específica.

“A negação da identidade de gênero, o isolamento institucional, a carência de suporte psicológico especializado e a interrupção de tratamentos em curso, somados à violência e à discriminação sistemáticas no ambiente carcerário, produzem vulnerabilidade extrema que exige resposta específica e urgente” cita.

Cermac
Ambulatório de Atenção à Transexualidade do Centro de Referência de Média e Alta Complexidade do Estado (CERMAC) deverá ampliar capacidade para atender presos da comunidade LGBT. – Foto: Reprodução

Por conta disso, em prazo também de 90 dias, foi determinado a SES-MT e a Sejus-MT estruturem e ampliem o modelo de atenção especializada à saúde das pessoas privadas de liberdade do grupo LGBT.

A atenção especializada será feita por meio do Ambulatório de Atenção à Transexualidade do Centro de Referência de Média e Alta Complexidade do Estado (CERMAC), observando protocolos do SUS, adaptados ao contexto prisional, com encaminhamento regulado pelas equipes de saúde das unidades prisionais e inserção no Sistema de Regulação (SISREG), assegurada a continuidade assistencial.

Outro lado

O Primeira Página entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde (SES/MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (SEJUS/MT) para verificar quais medidas tem sido adotadas para atender a determinação judicial em relação a ampliação de vagas no Ciaps Adauto Botelho para atender a população em cárcere. Até a publicação da reportagem não houve retorno. Espaço segue aberto.

Atenção à saúde prisional

Em decisão anterior da última sexta-feira (17), o magistrado havia fixado obrigações voltadas à reorganização da atenção à saúde das pessoas privadas de liberdade (PPL) nas unidades penais do Estado.

Além disso, foi determinado que a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) atuasse em conjunto com a Secretaria de Estado de Justiça (SEJUS/MT) na gestão da saúde mental e da assistência farmacêutica das penitenciárias.

  1. “Salão-escola” em presídio é esperança de recomeço para presos LGBTQIAPN+

  2. Justiça dá 60 dias para Estado corrigir falhas na saúde de presídios

  3. Presídio lotado: Defensoria pede progressão antecipada para mais de 100 mulheres

  4. Policial penal cobrava R$ 2,5 mil por celular em presídio e é condenado

  5. Visitantes são flagradas com drogas no chinelo e até na região íntima em presídios

  6. Justiça proíbe cortar cabelo de pessoas trans em presídios de MT

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia