Tarifaço dos EUA assusta, mas Mato Grosso do Sul escapa dos maiores impactos

A entrada em vigor do tarifaço adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros gerou preocupação em diversos setores da economia. Em Mato Grosso do Sul, no entanto, o cenário é mais tranquilo do que o inicialmente previsto.

Principais produtos exportados por MS foram poupados do tarifaço americano. (Foto: Ilustrativa)

Segundo a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), os principais produtos exportados pelo estado para o mercado norte-americano ficaram de fora da lista de itens atingidos pela medida, reduzindo os impactos imediatos para o agronegócio sul-mato-grossense.

Carne bovina escapa do tarifaço

A principal notícia para o agro de Mato Grosso do Sul é que a carne bovina, produto que lidera as exportações estaduais para os Estados Unidos, permaneceu entre as exceções da tarifa.

Além da carne, outros produtos importantes para a pauta exportadora do Estado também ficaram fora da cobrança adicional, entre eles madeira, tilápia e couros.

A decisão foi considerada mais favorável do que o cenário que vinha sendo desenhado nas últimas semanas, quando havia preocupação sobre a inclusão desses produtos na lista tarifária.

MS foi relativamente preservado porque seus principais produtos ficaram de fora do tarifaço. (Foto: Ilustrativa)
MS foi relativamente preservado porque seus principais produtos ficaram de fora do tarifaço. (Foto: Ilustrativa)

Dependência dos EUA é pequena

Outro fator que ajuda a explicar por que Mato Grosso do Sul deve sofrer menos com a medida é a baixa dependência do mercado americano.

Atualmente, os EUA respondem por cerca de 5% das exportações do agronegócio sul-mato-grossense. Já a China concentra mais da metade das vendas externas do setor, com participação de 52,2%.

Na prática, isso significa que o principal destino da produção agropecuária de Mato Grosso do Sul continua sendo o mercado chinês, o que reduz a exposição do estado ao tarifaço norte-americano.

EUA detêm apenas 5% das exportações de Mato Grosso do Sul o que reduz os impactos do tarifaço. (Foto: Reprodução)
EUA detêm apenas 5% das exportações de Mato Grosso do Sul o que reduz os impactos do tarifaço. (Foto: Reprodução)

Maior parte do agro brasileiro também ficou de fora

A avaliação técnica da Famasul aponta que o impacto para o agronegócio brasileiro também acabou sendo menor do que o esperado.

Segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cerca de 63,5% do valor das exportações do setor para os Estados Unidos permaneceram fora da tarifa adicional após a ampliação da lista de exceções.

Entre os produtos que continuaram isentos estão:

  • Carne bovina;
  • Café;
  • Laranja;
  • Suco de laranja;
  • Cacau;
  • Especiarias;
  • Madeira;
  • Couros;
  • Mel orgânico;
  • Alguns pescados.
Citricultura - Laranja pêra saudável
A laranja também se livrou da taxação, favorecendo a valorização da produção local. (Foto: Fundecitrus)

A tarifa começou a valer nesta quarta-feira (22) e será aplicada somente aos produtos que não foram contemplados pelas exceções. Entre os principais itens afetados estão etanol, máquinas agrícolas, calçados, roupas, papel, equipamentos de mineração e produtos químicos.

Apesar do alívio para Mato Grosso do Sul, o setor acompanha os desdobramentos da política comercial norte-americana. Mudanças futuras podem alterar a lista de produtos atingidos ou ampliar as restrições.

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