Sucessão familiar no agro exige preparo e profissionalização, diz produtora

O novo episódio do podcast Agro de Primeira, lançando nesta quinta-feira (14), coloca no centro do debate temas como sucessão familiar, liderança feminina e propósito social no agronegócio. A convidada da vez é Jaqueline Campos Pio, produtora rural do grupo J3 e ligada ao projeto social “Mãos que Abençoam”.

Durante a entrevista, Jaqueline e compartilhou a trajetória da família no agro mato-grossense e os desafios de administrar um negócio familiar em expansão. Para a produtora, a sucessão familiar no campo precisa começar antes mesmo da transferência oficial do patrimônio e deve envolver preparação técnica e participação ativa dos herdeiros dentro da empresa.

“A gente não sucedeu porque nós éramos filhos. Nós sucedemos porque entendíamos o negócio do meu pai. Fomos treinados para isso. Cada um passou por vários setores da empresa para entender como tudo funcionava. Meu pai já nos direcionava desde cedo e isso fez toda diferença. Vejo que muitas sucessões falham porque os filhos não conhecem o negócio”, compartilha a produtora.

Assista o episódio completo aqui:

Segundo Jacqueline, durante o processo de sucessão a divisão clara de funções foi essencial para manter o crescimento do grupo familiar após a separação dos pais e a reorganização societária das fazendas.

“Se a gente não colocasse funções e limites, não daria certo. Meu irmão ficou na parte operacional, eu fui para o financeiro e o outro irmão assumiu a parte comercial e de construção. Nós aprendemos que, dentro da reunião, não somos irmãos, somos sócios. Então vale resultado, vale entrega, vale responsabilidade. O relacionamento familiar é importante, mas a gestão precisa ser profissional”, pontua.

Ao longo do podcast, Jaqueline também falou sobre o avanço da presença feminina no agronegócio e defendeu que as mulheres ocupem cada vez mais espaços de liderança no setor.

“A mulher leva um olhar mais humano para dentro do agro. A gente pensa nas famílias, nos funcionários, no cuidado com as pessoas. Quando você fala de equipe, de ambiente, de acolhimento, a mulher consegue enxergar detalhes que muitas vezes passam despercebidos. O agro não é feito só de máquinas e produtividade. Ele é feito de pessoas”, defende.

Olhar social

Além da atuação no campo, a produtora contou detalhes sobre o projeto “Mãos que Abençoam”, iniciativa voltada ao acolhimento espiritual e emocional de mulheres em situação de vulnerabilidade. Segundo ela, o trabalho nasceu após uma transformação pessoal ligada à fé.

“Entendi que muitas mulheres carregam feridas, vazios e dores emocionais. E muitas delas não conseguem chegar até uma igreja. Então nós começamos a ir até elas. Vamos para hospitais, abrigos, casas de acolhimento e levamos palavra, oração, cuidado e escuta”, conta.

Ao encerrar a participação, a produtora afirmou que o principal legado que deseja deixar para os filhos vai além do patrimônio construído no agro.

“Não é só sobre números, hectares plantados ou quantas fazendas nós temos. Eu quero deixar um legado de honra, caráter e princípios. Quero que meus filhos sejam respeitados não pelo que possuem materialmente, mas pelo ser humano que eles são”, concluiu.

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