STF prorroga investigação sobre venda de sentenças em MT e MS por mais 60 dias

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin prorrogou por mais 60 dias o prazo para conclusão das investigações da Polícia Federal sobre vendas de sentenças na Justiça de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Ele também manteve medidas cautelares contra os investigados, entre eles o empresário Andreson Gonçalves, que está solto e sob monitoramento por tornozeleira eletrônica. A decisão é desta quinta-feira (28).

Documento obtido pelo Primeira Página aponta que a determinação de Zanin atende a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) que informou a necessidade de continuidade e aprofundamento das investigações diante da “persistência do vínculo de conexão com investigações que envolvem autoridades detentoras de foro por prerrogativa de função”.

Ministro do STF, Cristiano Zanin, determina prorrogação de investigações. – Foto: Victor Piemonte/STF

Contudo, no ato foram pedidos o arquivamento de linhas investigativas vinculadas as ministras do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nancy Andrighi e Maria Isabel Gallotti. O ministro deixou de aoclher o pedido de arquivamento, já que não havia autorizado qualquer apuração de hipóteses criminais em desfavor das autoridades.

“Entretanto, registre-se que o próprio Procurador-Geral da República enfatizou, de maneira expressa, a inexistência, no acervo probatório reunido, de qualquer elemento de vinculação subjetiva das referidas
Ministras do Superior Tribunal de Justiça citadas em relação aos fatos em apuração”, destacou.

A PGR afirmou que a atuação desviada de terceiros, entre eles ex-assessores das ministras , lançou “indevida sombra sobre a higidez funcional das magistradas”, embora o acervo informativo não ampare qualquer associação delas aos fatos investigados.

Além disso, o magistrado acatou o pedido da PGR pela manutenção das medidas cautelares dos investigados. Entre eles estão o empresário Andreson de Oliveira Gonçalves, e a esposa dele, Mirian Ribeiro Rodrigues de Mello Gonçalves.

Lobista e advogada de MT entre os denunciados

A denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República recai sobre nove investigados, entre eles os mato-grossenses Andreson e Miriam.

Andreson foi denunciado pelos supostos crimes de corrupção ativa por duas vezes, exploração de prestígio, lavagem de capitais por três vezes, e organização criminosa. Já a esposa, a advogada Miriam, pelos crimes de lavagem de capitais e organização criminosa.

O empresário Andreson Gonçalves e a esposa, a advogada Mirian Ribeiro. - Foto: Reprodução
O empresário Andreson Gonçalves e a esposa, a advogada Mirian Ribeiro. – Foto: Reprodução

Os demais denunciados são os ex-assessores das ministras do STJ, Márcio José Toledo Pinto e Daimler Alberto de Campos; Vanessa Resende Gonçalves; Carlos Antônio Nogueira Júnior; o fazendeiro Bernardo Mazzutti; o empresário Diego Cavalcante Gomes; e João Batista da Silva.

A defesa dos dois informou ao Primeira Página nessa quarta-feira (28) que a partir de agora, a defesa se manifestará apenas no processo, como convém ao sistema de Justiça.

A denúncia vem após quase dois anos de quando o empresário foi alvo da Operação Sisamnes, deflagrada pela Polícia Federal.

Em abril deste ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, determinou a soltura do empresário Andreson de Oliveira Gonçalves, que estava anteriormente detido em uma penitenciária federal, em Brasília (DF).

Ele não se encontra em prisão domiciliar e pode sair de casa, desde que sob o cumprimento de medidas cautelares.

Venda de sentenças em tribunais

O esquema veio à tona após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto em 5 de dezembro de 2023, em Cuiabá. Com a apreensão do celular dele no curso da investigação do homicídio, a Polícia Federal encontrou as mensagens que expunham a organização do suposto esquema de venda de sentenças.

Zampieri era o intermediário central, com interlocução com os clientes beneficiários e o repasse dos valores a Andreson, tratado como principal articulador junto aos tribunais em Brasília, responsável por estabelecer a conexão entre advogados com clientes interessados e assessores de ministros com acesso às minutas.

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