Uma proposta de emprego com salário muito acima do mercado, uma viagem com todas as despesas pagas ou a promessa de uma vida melhor em outra cidade ou país podem esconder tráfico de pessoas. As vítimas podem ser atraídas por ofertas aparentemente legítimas e, depois, enfrentar ameaças, retenção de documentos, dívidas forçadas e restrição de liberdade.
No Dia Mundial e Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, celebrado nesta quinta-feira (30), a Defensoria Pública de Mato Grosso alertou para os sinais desse tipo de crime e reforçou a necessidade de verificar a origem das propostas antes de aceitar empregos ou viagens.
O tráfico de pessoas não ocorre apenas quando alguém é levado à força para outro local. O crime também pode envolver recrutamento, transporte ou acolhimento por meio de fraude, ameaça, violência ou aproveitamento de uma situação de vulnerabilidade.
Entre as finalidades estão a exploração sexual, o trabalho em condições análogas à escravidão, a servidão, a adoção ilegal e a retirada de órgãos ou partes do corpo.
Mato Grosso liderou resgates em 2025
Em Mato Grosso, a maior parte dos casos identificados está relacionada ao trabalho em condições semelhantes à escravidão. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que 607 trabalhadores foram resgatados no estado em 2025, o maior número do país.
Mato Grosso ficou à frente da Bahia, que registrou 482 resgates, e de Minas Gerais, com 393.
A Defensoria Pública da União identificou 603 vítimas. Desse total, 507 estavam relacionadas à exploração em condições análogas à escravidão.

Aliciamento também ocorre pela internet
Segundo o defensor público David Brandão, integrante do Comitê Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, criminosos costumam oferecer salários altos, viagens e melhores condições de vida para conquistar a confiança das vítimas.
Com o avanço das redes sociais e dos aplicativos de mensagens, essas abordagens também passaram a ocorrer com frequência pela internet. A orientação é pesquisar a empresa responsável, buscar referências e desconfiar de propostas muito vantajosas ou que não apresentem informações claras sobre o trabalho.

O controle das vítimas pode ocorrer por meio de ameaças, isolamento, dependência financeira ou intimidação de familiares. Crianças, adolescentes, mulheres, migrantes, refugiados e pessoas em situação de pobreza estão entre os grupos mais expostos, mas qualquer pessoa pode ser vítima.
O crime também não depende de viagens internacionais. A exploração pode ocorrer dentro de uma mesma cidade, entre municípios ou entre estados. Em alguns casos, a vítima chega ao destino e tem os documentos tomados, é impedida de sair ou recebe a informação de que possui uma dívida relacionada ao transporte, à alimentação ou à hospedagem.
-
Trabalhadores alimentados com restos de feira e com jornadas de até 16 horas são resgatados em Rondonópolis
-
Mais de 30 crianças e adolescentes são encontrados trabalhando em MT
-
35 trabalhadores de MG são resgatados alojados em contêineres cercados com arame farpado em lavoura em MT