Sem ver os filhos há 6 anos, venezuelana que mora em Cuiabá faz campanha para trazê-los ao Brasil após tremores

A venezuelana Rebeca Elimar Maita Segovia, de 38 anos, vive, em Cuiabá, a angústia de estar longe dos dois filhos, dois adolescentes de 16 e 14 anos, que permanecem na Venezuela. Diante das dificuldades enfrentadas pelos jovens e dos recentes tremores registrados no país, ela iniciou uma campanha para arrecadar dinheiro e conseguir trazê-los para o Brasil.

Rebeca trabalha na área da limpeza e conta que veio ao Brasil com o objetivo de se estabelecer, conseguir emprego e, depois, buscar os filhos. As crianças ficaram na Venezuela com o pai, mas, segundo ela, a comunicação foi interrompida por um período.

“Quando eu vim para o Brasil, eles ficaram lá com o pai. Desde o começo, a ideia era eu chegar aqui, me estabelecer, conseguir um trabalho e depois voltar para buscar meus filhos. Mas, com o tempo, ele [o pai] não quis mais que eu falasse com eles. Depois de três anos, voltei a ter contato com meus filhos”, relata.

Filhos de Rebeca que continuam na Venezuela. – Foto: arquivo pessoal

Segundo Rebeca, os filhos passam grande parte do tempo sob os cuidados da madrasta, já que o pai trabalha fora e chega a ficar de 15 a 20 dias longe de casa. A mãe afirma que tem recebido ligações dos filhos e de outras pessoas relatando situações de maus-tratos por parte da madrasta.

“Meu filho me liga dizendo que eles estão sendo maltratados. Ele fala que ela desconta neles o fato do pai demorar a voltar para casa. Minha filha já apanhou no rosto. E não são só eles que falam, outras pessoas que presenciam também me ligam para contar”, afirma.

rebeca venezuelana
Rebeca é venezuelana, mora em Cuiabá, e busca ajuda para trazer os filhos ao Brasil. – Foto: arquivo pessoal

Sem condições financeiras para custear a viagem, Rebeca começou a fazer rifas e a pedir ajuda. Ela explica que precisa pagar quatro passagens aéreas: uma de Cuiabá para Boa Vista, em Roraima, e três de retorno, de Boa Vista para Cuiabá, para voltar ao lado dos dois filhos. Além disso, há os custos do deslocamento terrestre entre Boa Vista, Pacaraima, Santa Elena e Puerto La Cruz, na Venezuela.

“Eu estou tentando juntar dinheiro para ir buscar meus filhos, mas não consigo. Tenho outras três meninas aqui e vivo com um salário. Não é fácil juntar essa quantidade de dinheiro sozinha”, diz.

Terremotos na Venezuela

A preocupação aumentou ainda mais após os tremores registrados na Venezuela nos últimos dias. Rebeca afirma que a situação deixou o coração ainda mais apertado e reforçou a urgência de reunir a família em segurança.

“Depois que aconteceu o terremoto, fiquei com o coração mais apertado. Eu fico desesperada, não consigo nem dormir direito. Não fico tranquila porque não sei em que momento pode acontecer alguma coisa lá. Enquanto eu estou aqui e eles estão lá, eu não consigo ficar calma”, desabafa.

Abalo de 4,6 ocorre cinco dias após terremoto que deixou 1,5 mil mortos e milhares de desaparecidos. (Foto: CBMPR)
Abalo de 4,6 ocorre cinco dias após terremoto que deixou 1,5 mil mortos e milhares de desaparecidos. – Foto: CBMPR

Em uma carta de solicitação de ajuda humanitária, Rebeca pede apoio de pessoas, empresas, instituições e organizações que possam contribuir com a viagem. Para ela, qualquer ajuda representa um passo a mais para conseguir abraçar os filhos novamente.

“Toda ajuda faz diferença. Pode ser qualquer valor, pode ser uma passagem. Eu só preciso conseguir ir até lá e trazer meus filhos para perto de mim”, afirma.

Quem puder ajudar pode entrar em contato com Rebeca pelo telefone/PIX: (65) 99989-5401. Quem quiser ajudar também pode acessar o link da vaquinha.

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