Selvíria deixa lista de cidades sem feminicídio em MS após mulher ser morta por sobrinho

Uma das 11 cidades de Mato Grosso do Sul que ainda não havia registrado nenhum crime de feminicídio, Selvíria deixa a lista após a morte de Fátima Aparecida da Silva, de 58 anos, ocorrida na manhã desta segunda-feira (23). O principal suspeito é o sobrinho dela, Maurício da Silva, de 21, que acabou preso em flagrante.

Imagem aérea de Selvíria. (Foto: Prefeitura de Selvíria)

Autor confessa

À polícia, o rapaz afirmou que atacou a tia com golpes na cabeça, utilizando panelas e uma serra mármore. Após o crime, ele fugiu, mas foi encontrado às margens do Córrego Rio Doce, onde tentava se lavar do sangue da vítima. 

Inicialmente, Maurício negou o crime e alegou ter encontrado a tia já morta, afirmando que o sangue em seu corpo seria resultado de uma tentativa de reanimação. No entanto, diante das evidências reunidas pela investigação, ele acabou confessando o homicídio.

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Em depoimento, o sobrinho relatou que havia consumido álcool e drogas antes de ir até a casa da tia, durante a madrugada. Segundo sua versão, os dois discutiram por motivos fúteis.

Ele afirmou que a vítima teria pegado uma faca durante o desentendimento, momento em que reagiu com agressões utilizando uma panela. Após a queda da vítima, ele deixou o local.

O suspeito também disse que chegou a avisar o filho da vítima e, em seguida, tentou limpar o sangue em um posto de combustível, mas foi impedido. Depois disso, seguiu até o córrego, onde acabou localizado pela polícia.

Sobrinho mata tia em 8º feminicídio de MS
O crime aconteceu em Selvíria | (reprodução)

O 1º em 11 anos

De acordo com o Monitor de Violência Contra a Mulher, do Poder Judiciário em parceria com a Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública), com 8,1 mil habitantes (dados do IBGE), Selvíria nunca havia registrado nenhum crime de feminicídio desde que a tipificação passou a ser contabilizada em 2015. 

Em fevereiro, a morte de Janete Feles Valores, de 45 anos, havia sido, inicialmente, investigada como possível feminicídio. Porém, após análise pericial e provas colhidas pela Polícia Civil, concluiu-se que a vítima morreu em decorrência de um suicídio. O marido dela chegou a ser preso após o ocorrido, mas foi solto dias depois.

Assim como Selvíria, Paranhos também fazia parte da lista, mas deixou o grupo depois que Ereni Benites, de 44 anos, foi morta pelo ex-marido no dia 8 de março. Ela teve a casa incendiada e morreu carbonizada em uma aldeia da região. 

Até esta segunda-feira (23), 11 cidades faziam parte da lista. Agora, o número caiu para 10. São elas:

Ainda conforme os dados do Monitor de Violência, Selvíria contabilizou, nos primeiros 81 dias de 2026, 11 registros de violência doméstica. Na série histórica, o ano com mais casos foi em 2017, com 75 ocorrências, seguida por 2023 (72) e 2020 (71). Em 2025 foram 58 boletins de ocorrência confeccionados na delegacia da cidade a respeito do crime.

Com a morte de Fátima, MS contabiliza 8 casos de feminicídio em 2026. Veja abaixo o nome das demais vítimas neste ano:

  1. Josefa dos Santos – 44 anos – assassinada em 16/01 na cidade de Bela Vista
  2. Rosana Candia Ohara – 62 anos – assassinada em 24/01 na cidade de Corumbá
  3. Nilza de Almeida Lima – 50 anos – assassinada em 22/02 na cidade de Coxim
  4. Beatriz Benevides – 18 anos – assassinada em 25/02 na cidade de Três Lagoas
  5. Liliane de Souza Bonfim Duarte – 51 anos – atacada em 03/03 em Ponta Porã e morte constatada em 06/03 em Dourados
  6. Leise Aparecida Cruz, de 41 anos – assassinada em 06/03 em Anastácio
  7. Ereni Benites – 44 anos – assassinada em incêndio em 08/03 em Paranhos
  8. Fátima Aparecida da Silva – 58 anos – assassinada em 23/03 em Selvíria

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  • Perigo: procure a delegacia mais próxima e acione a polícia, por meio do 190.

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