Wilton de Souza Arruda, ex-servidor da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), é investigado pela Polícia Civil por suspeita de emitir documentos falsos para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele atuava como papiloscopista e foi alvo de mandados de busca e apreensão na própria casa, em Várzea Grande, e também no Instituto Médico Legal (IML) de Cuiabá, onde trabalha.
Na ação, a polícia achou canetas emagrecedoras e anabolizantes contrabandeados e, por isso, ele foi preso em flagrante. A Politec informou que colaborou com o processo de investigação e acompanha os desdobramentos da operação. Destacou ainda que Wilton responderá a Processo Administrativo Disciplinar (PAD), paralelamente à investigação criminal.
O Primeira Página tenta localizar a defesa do ex-servidor.
A investigação iniciou em julho de 2025, após a prisão de Ricardo Batista Ambrózio, conhecido como “Perfume” ou “Kaiak”, apontado como membro da facção que estava foragido há pelo menos 12 anos em Mato Grosso. Ele, a esposa e os dois filhos menores de idade usavam documentos falsos.
A denúncia do Ministério Público de São Paulo aponta Kaiak como o principal elo entre os faccionados presos, como Marcola, apontado como o maior chefe do PCC. Isso ficou comprovado em conversas gravadas de Kaiak com lideranças presas.
“[…] restou devidamente comprovado que ele exerce a função de sintonia geral da rua do PCC, gozando da confiança da cúpula da facção presa na PII de Presidente Venceslau”, diz trecho da denúncia. Além disso, foi apreendida com o Kaiak uma pistola com a numeração raspada, na época.

Com o aprofundamento das investigações, em agosto de 2025, foi deflagrada a 1ª fase da operação, quando foi identificado um homem de 66 anos como o suposto intermediário do esquema.
Com a análise de dados extraídos na primeira fase, foi possível identificar a proximidade e as tratativas entre o suspeito que agia como intermediário, que possuía múltiplos documentos de identidade falsos com nomes distintos, e o papiloscopista alvo da investigação, que atuava na facilitação da confecção de identidades falsas.
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Servidor da Politec é alvo de operação por emitir documentos falsos