Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), a programação da Rede Matogrossense de Comunicação (RMC) lançou a campanha “Homem de verdade respeita, ponto final!”, em combate a casos de violência contra mulheres no estado.
A realidade que os jornalistas levam até você, é de mulheres que precisam lutar para sobreviver, dentro de suas próprias casas por exemplo. E essa escalada de violência que inicia com uma ameaça pode terminar, muitas vezes, com uma mulher assassinada por alguém que um dia afirmou que a amava.
Diante do alto índice de feminicídios registrados em Mato Grosso, a RMC convida os telespectadores para mudar o discurso, já é hora de falarmos sobre respeito!
Jornalistas da TV Centro América participaram dando voz à campanha ao relembrarem casos de feminicídios que marcaram tristemente a população cuiabana.
Nos vídeos da campanha, os jornalistas também fazem uma pergunta que choca, mas que gera reflexão: “Se você tivesse que escolher uma mulher da sua família para morrer pelas mãos de um homem, quem você escolheria?”.
Feminicídios aumentaram
Mais de mil e quinhentas mulheres foram assassinadas por homens somente em 2025 no Brasil – número que representa um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, sendo que 66,3% dos feminicídios ocorreram dentro das casas das próprias vítimas, como aponta um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são os dois estados que continuaram entre os cinco com maiores taxas de feminicídio na série histórica 2021-2025, conforme os dados.
A Câmara Setorial Temática (CST) do enfrentamento ao feminicídio apresentou na última segunda-feira (2), o relatório preliminar que aponta omissão do Estado de Mato Grosso na coordenação das políticas públicas de proteção às mulheres.
O documento indica falhas estruturais na rede de atendimento, subexecução orçamentária e ausência de planejamento intersetorial no enfrentamento à violência de gênero. Entre os principais problemas apontados estão: falta de integração entre estado, municípios e governo federal; ausência de planejamento intersetorial; baixa execução de recursos públicos e insuficiência de delegacias especializadas.
Outro ponto preocupante, é que o relatório aponta que Mato Grosso registra taxa proporcional de feminicídio superior à média nacional.
Enquanto o Brasil apresenta cerca de 1,6 mortes a cada 100 mil mulheres, o estado atinge aproximadamente 2,7 por 100 mil, índice considerado preocupante pelos integrantes da Câmara Setorial.
Vale lembrar que Mato Grosso registrou, em 2025, o maior número de feminicídios dos últimos cinco anos. Ao todo, 52 mulheres foram mortas no estado, segundo dados da Polícia Civil. O índice é o mais alto desde 2020, quando foram contabilizados 62 casos.
Já de acordo com o Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o número sobe para 54 vítimas, sendo que sete delas não possuíam nenhum tipo de medida protetiva em vigor, o que representa 13% do total de casos.
Segundo o Observatório, o ano de 2025 fechou com 53 vítimas, número que, posteriormente, foi atualizado para 54.
O feminicídio é caracterizado como o assassinato de uma mulher motivado por violência doméstica, familiar ou por discriminação de gênero, conforme prevê a legislação brasileira. Em geral, os crimes estão associados a relações íntimas, histórico de agressões e contextos de controle ou posse sobre a vítima.
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