A inteligência artificial já está presente em diversas etapas da produção agropecuária brasileira, mas os próximos anos prometem uma transformação ainda mais profunda na forma como produtores rurais administram propriedades, analisam informações e tomam decisões. O tema foi destaque no podcast Agro de Primeira, apresentado por Edevaldo Nascimento e Tati Scaff, que recebeu o consultor em tecnologia e inteligência artificial da LEEGA Consultoria, Sérgio Topfstedt para uma conversa sobre os impactos da inovação no campo.
Durante o episódio, o especialista explicou que boa parte das tecnologias associadas hoje à inteligência artificial já estava presente no agronegócio por meio de máquinas agrícolas, sistemas de irrigação, drones e ferramentas de monitoramento. Segundo ele, o grande diferencial dos últimos anos foi a popularização e a democratização do acesso a essas soluções. (Assista ao episódio completo no YouTube acima ou clique no link abaixo para ouvir no Spotify.)
Primeiro foco do produtor
Um dos principais pontos abordados no bate-papo foi o uso da inteligência artificial para apoiar decisões financeiras dentro das propriedades rurais. Para Sérgio, essa é a área que oferece o retorno mais rápido sobre o investimento em tecnologia.
Sérgio Topfstedt explica como a inteligência artificial está criando sistemas capazes de prever cenários e orientar decisões no campo. (Foto: Reprodução)
Segundo ele, a IA permite criar cenários, analisar riscos e apoiar estratégias relacionadas a crédito, fluxo de caixa e comercialização da produção, algo especialmente importante em um setor que depende diretamente de fatores imprevisíveis, como o clima e as oscilações do mercado.
“A inteligência artificial ajuda demais, porque com a inteligência artificial você faz uma predição com algum nível de acerto. E aí na retomada do dinheiro você pode precisar de um dinheiro mais curto e um pouco mais caro ou um dinheiro mais barato ao longo de uma série de tempo”, afirmou.
O consultor ressalta que a adoção dessas ferramentas não elimina a necessidade de acompanhamento humano. Pelo contrário, exige que produtores e gestores desenvolvam uma postura cada vez mais crítica na análise dos resultados apresentados pelas plataformas.
inteligência artificial pode ser o principal motor do campo nos próximos anos. (Foto: Mairinco de Pauda, Semadesc)
Durante a conversa, ele também destaca que a qualidade dos dados será determinante para o sucesso das iniciativas de inteligência artificial no agronegócio. Informações incorretas ou desorganizadas podem comprometer análises e gerar decisões equivocadas.
Fazendas do futuro
Ao projetar o cenário para os próximos anos, Topfstedt afirmou que uma das principais tendências será a criação de agentes de inteligência artificial especializados em diferentes atividades do agronegócio.
Na prática, propriedades, cooperativas e empresas poderão contar com sistemas voltados exclusivamente para áreas como gestão financeira, produção agrícola, comercialização, manejo pecuário e monitoramento climático, trabalhando de forma integrada.
“O principal é criar não só um agente, mas uma coleção de agentes para cada tipo de subindústria do agro. Os agentes mais especialistas e potencializados são algo que muita gente ainda não está percebendo”, destacou.
Especialista explica como a tecnologia ajuda a prever cenários, reduzir riscos e aumentar a eficiência dentro das propriedades. (Foto: Reprodução)
O especialista acredita que essa evolução permitirá uma gestão cada vez mais eficiente e personalizada, aumentando a produtividade e reduzindo riscos operacionais.
Outro tema abordado foi o avanço das tecnologias preditivas. Segundo Topfstedt, o setor caminha para ferramentas capazes de antecipar tendências de mercado e cenários futuros com níveis de precisão cada vez maiores, funcionando como uma espécie de “bola de cristal” baseada em dados.
Sérgio Topfstedt aponta que a inteligência artificial irá revolucionas as fazendas no futuro. (Foto: Thauana Luares)