Quatro PMs investigados por suposto confronto para ocultar arma que matou advogado são presos pela 2ª vez

Acusados de forjar um confronto policial para esconder a origem da arma utilizada no assassinato do advogado Renato Nery, quatro policiais do Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam) voltaram a ser presos nesta terça-feira (23), em Cuiabá. A medida cumpre uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), executada pelo juiz João Bosco Soares da Silva, da 14ª Vara Criminal da Capital.

Os militares Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Wailson Alessandro Medeiros Ramos e Weckcerlley Benevides de Oliveira haviam deixado a prisão em maio de 2025 e respondiam ao processo em liberdade, monitorados por tornozeleira eletrônica e submetidos a medidas cautelares. Agora, retornam ao cárcere após o restabelecimento da prisão preventiva determinado pelo STJ, a pedido do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).

“A decisão do Superior Tribunal de Justiça possui caráter vinculante e de cumprimento imediato e obrigatório por este Juízo, nos termos do artigo 105, inciso III, da Constituição Federal e artigo 253, do Regimento Interno do STJ, não havendo margem para deliberação diversa quanto ao mérito da medida cautelar. Impõe-se, portanto, a expedição imediata dos mandados de prisão preventiva em desfavor de todos os réus”, afirmou o juiz.

PMs investigados por suposto confronto para ocultar arma de morte de advogado são presos novamente. – Foto: Reprodução

O Primeira Página entrou em contato com o advogado Marciano Xavier, que representa a defesa dos militares para um posicionamento sobre a nova determinação. Para a reportagem, ele informou que os mandados foram cumpridos hoje e os quatro foram presos nesta terça-feira (23).

Questionado se pretende buscar recurso para reverter a decisão, mencionou que a instrução processual vai demonstrar a inocência deles no caso.

“Desde que os militares estavam em liberdade não houve qualquer notícia de violação de medidas cautelares, intimidação de testemunhas, risco concreto e atual para instrução criminal ou qualquer fato novo ou contemporâneo que justificasse a prisão, bem com o reestabelecimento das cautelares diversas de prisão”, acrescentou o advogado Robson Cardoso, que também atua na defesa dos militares.

Essa é a segunda vez que os quatro são presos preventivamente. A primeira prisão ocorreu em 6 de março de 2025, em razão da Operação Office Crimes – A Outra Face. Contudo, em 29 de maio de 2025, por decisão do juiz Francisco Ney Gaíva, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá, as prisões foram revogadas.

Mesmo com a decisão do STJ em fevereiro deste ano pela prisão preventiva dos quatro, os militares estavam soltos, com uso de tornozeleira eletrônica. Decisão da semana passada, impôs afastamento dos quatro das funções de policiamento ostensivo, somente atividades administrativas, além de suspensão do porte/posse de arma de fogo, tanto institucional quanto particular.

Falso confronto e arma usada em morte de advogado

Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Weckcerlley Benevides de Oliveira e Wailson Alessandro Medeiros Ramos foram denunciados pelo Ministério Público (MPMT) por fraude processual, porte ilegal de arma, tentativa de homicídio e homicídio qualificado.

Os quatro são acusados de envolvimento em um confronto forjado para ocultar arma de fogo usada no assassinato do advogado Renato Gomes Nery, atingido por disparos por um executor em uma moto, na frente de seu escritório, na Avenida Fernando Correa, em 5 de julho de 2024, em Cuiabá. Ele faleceu um dia depois após ser submetido a cirurgia.

Testemunhas de acusação começaram a ser ouvidas na 14ª Vara Criminal; juiz decidirá se réus vão a júri popular - Foto: Adia Borges.
Renato Nery foi executado a tiros em julho de 2023, ao chegar ao seu escritório, localizado na Avenida Fernando Correa da Costa. (Foto: Reprodução)

De acordo com o MP, o suposto confronto ocorreu após uma denúncia de roubo de um veículo Gol branco, em que os policiais alegaram perseguição e troca de tiros com três suspeitos, em 12 de julho de 2024, no Contorno Leste, em Cuiabá.

Segundo os militares, a arma, que depois descobriu-se ter sido usada uma semana antes no homicídio de Renato Nery, teria sido apreendida em posse de um dos suspeitos do confronto. Contudo, a investigação revelou que a viatura não foi atingida pelos tiros e que a cena foi manipulada para inserir a pistola.

Na ocorrência um rapaz foi baleado e morto e houve ainda tentativa de homicídio contra outros dois.

primeira pagina 2026 06 19T182346.102
Suposto confronto que terminou com uma morte e dois feridos ocorreu após denúncia de roubo de um Gol branco, em 12 de julho de 2024, no Contorno Leste. – Foto: Reprodução

A perícia constatou por meio de laudos periciais balísticos que a arma foi a mesma usada no assassinato do advogado Renato Gomes Nery, e análise de mensagens extraídas de celulares dos réus indicaram tentativa de obstrução da justiça e coordenação de versões entre envolvidos em troca de mensagens.

  1. PMs acusados de simular confronto após morte do advogado Renato Nery em Cuiabá voltam a usar tornozeleira

  2. PMs ligados a suposto confronto com arma que matou Renato Nery são afastados

  3. Caso Nery: PMs investigados por homicídio de advogado voltam a trabalhar armados

  4. Casal e dois policiais militares vão a júri por morte de Renato Nery

  5. Caso Renato Nery: quem são os 10 envolvidos no crime e o papel de cada um

  6. Caso Renato Nery: polícia desmente confronto e indicia 4 PMs

  7. Jornalista preso durante operação sobre morte de Nery é solto após pagar fiança

  8. PMs são denunciados por ocultar arma usada na morte de Renato Nery

  9. PMs presos por morte de advogado em Cuiabá têm novas prisões decretadas

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia