Quase quatro em cada dez presos de MT ainda não foram julgados, diz anuário

Quase quatro em cada dez pessoas presas em Mato Grosso ainda aguardam julgamento, segundo os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. O estudo revela que, em 2025, dos 22.636 detentos no estado, 8.550 são presos provisórios, ou seja, aqueles que ainda não receberam uma condenação definitiva pela Justiça.

Esses presos provisórios representam 37% da população carcerária mato-grossense, o equivalente a quase quatro em cada dez detentos.

Anuário de Segurança Pública revelou que quase quatro em cada dez presos ainda não julgados. – Foto: Secom-MT

População prisional cresce quase 14% em MT

Segundo o anuário, a população carcerária do estado cresceu 15% entre 2024 e 2025, passando de 19.606 para 22.636 pessoas privadas de liberdade.

No mesmo período, também aumentou o número de presos provisórios, que passou de 7.108 para 8.550, elevando a participação desse grupo de 36,3% para 37,8% do total de detentos.

CADEIA DE JACIARA INTERDITADA FOTO DPE
Cadeia de Jaciara foi interditada pela Justiça por superlotação. – Foto: Reprodução

O aumento da população carcerária tem sido acompanhado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Segundo um relatório do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo da corte, os presídios públicos do estado estão operando com 23% acima da capacidade.

Em maio deste ano, o desembargador Orlando de Almeida Perri determinou que a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) apresentasse informações detalhadas sobre todos os presídios fechados em Mato Grosso nos últimos dez anos para compreender as causas da superlotação enfrentada atualmente pelas unidades penais.

Cerca de R$ 2,5 bilhões foram destinados para custos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), enquanto R$ 900 mil para o Ministério Público de Mato GRosso (MPMT). Somente R$ 300 mil foram destinados a Defensoria Pública (DPMT). - Foto: Reprodução
Mais de 8 mil presos ainda aguardam julgamento em Mato Grosso – Foto: Reprodução

Ao ser procurada pelo Primeira Página, a Secretaria de Justiça orientou procurar o Tribunal de Justiça que, segundo a pasta, é o órgão responsável pelos esclarecimentos sobre os motivos pelos quais presos provisórios ainda aguardam julgamento.

“A Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT) é responsável pela administração do sistema penitenciário e pela custódia das pessoas privadas de liberdade”, diz trecho da nota enviada à reportagem.

O Primeira Página aguarda a resposta do Tribunal de Justiça.

  1. CNJ cobra mudanças no transporte de presos em MT após policiais rodarem 115 mil km para audiências de custódia

  2. Justiça manda soltar servidor preso por esquema de R$ 27 milhões

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia