Projeto Palhaçaria de Terreiro une ancestralidade e pesquisa acadêmica em residência artística em Cuiabá

A cena cultural de Cuiabá recebe, até o dia 29 de abril, uma imersão profunda que une arte, academia e ancestralidade. A residência artística do projeto Palhaçaria de Terreiro está em pleno desenvolvimento na Galeria Mandala, resultando na criação do espetáculo “Floresta e as pedras pelo caminho” em Mato Grosso.

A iniciativa é viabilizada pelo edital Viver Cultura, da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).

Referência Nacional na Condução

O processo criativo é liderado por nomes de peso nas artes cênicas: a doutora Antonia Vilarinho, referência nacional na palhaçaria contemporânea, e a atriz e pesquisadora Ana Carolina de Mello, idealizadora da proposta. O foco central é a investigação estética da palhaçaria sob uma perspectiva anticolonial, bebendo da fonte das culturas populares brasileiras e afro-brasileiras.

Segundo Antonia Vilarinho, a metodologia incorpora elementos da capoeira angola e da musicalidade tradicional. “A proposta é fortalecer uma palhaçaria vinculada às culturas pretas e populares”, explica a educadora, que soma quatro décadas de atuação no setor.

Pesquisa de Mestrado na UFMT

Para além dos palcos, o projeto possui um sólido embasamento científico. O espetáculo dialoga diretamente com a pesquisa de mestrado de Ana Carolina de Mello no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea da UFMT.

A artista analisa a presença da palhaça na cultura afro-ameríndia e o corpo em perspectiva pós-colonial. Todo o processo criativo está sendo registrado em um diário de bordo e será transformado em um vlog nas redes sociais a partir de maio, servindo também como base para a dissertação da pesquisadora.

Programação e Inclusão Social

O projeto Palhaçaria de Terreiro também prevê ações de formação e debate:

  • Roda de Conversa: No dia 30 de abril, às 19h, a Tenda de Umbanda Vó Joaquina de Angola recebe o debate “Corpos diversos, respeito igual: capacitismo no trabalho cultural”, com mediação de Ray Richard;
  • Apresentações: O resultado da residência será levado aos bairros Pedra 90, Parque Cuiabá e Jardim Vitória nos dias 3, 4 e 5 de julho.

A proposta busca descentralizar a produção artística, levando o teatro para espaços comunitários e terreiros da capital.

A redação do CenárioMT acompanha os movimentos culturais que valorizam a identidade mato-grossense. Você acredita que a união entre a universidade e a cultura popular ajuda a preservar nossas tradições? Deixe sua opinião nos comentários.

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