Aos 19 anos, a professora Rosa Neide descobriu que um de seus alunos vivia acorrentado a uma árvore pelos próprios avós, em Mato Grosso. A história, revelada durante o podcast Política de Primeira, expõe uma situação de violência que acabou se transformando após a intervenção da educadora, que acompanhou a criança e ajudou na sua mudança.
O caso aconteceu no início da carreira da professora, quando ela assumiu uma turma formada por alunos considerados ‘difíceis’, muitos com atraso na alfabetização. Entre eles, um menino, chamado por ela de José, chamava atenção pelo comportamento agressivo e pelas constantes brigas em sala de aula.
Desconfiada de que havia algo além da indisciplina, Rosa Neide decidiu investigar a realidade do estudante. Com a ajuda de uma religiosa, foi até a casa da criança e encontrou uma cena que a marcou profundamente. “Quando cheguei, ele estava acorrentado em uma mangueira, no fundo do quintal”, relatou.
Segundo o relato, os avós disseram que não conseguiam controlar o menino. Após a escola, ele saía para a rua, se envolvia em brigas e não obedecia. Como solução, decidiram prendê-lo.
A partir daquele momento, a professora passou a acompanhar mais de perto a situação. Com visitas frequentes e apoio da igreja, o menino foi sendo reintegrado à rotina escolar e familiar. A mudança foi gradual. O aluno, antes visto como agressivo, passou a se adaptar, participar das atividades e criar vínculos com colegas e professores.
Meses depois, um gesto simples marcou a trajetória dos dois. Sem condições financeiras, o menino foi até a casa da professora com o avô e levou três copos como presente. “Não tem nada que me faça esquecer essa história. Ninguém merece viver acorrentado”, afirmou.
Anos mais tarde, Rosa Neide, que é ex-deputada federal, reencontrou o ex-aluno já adulto, descrito por ela como uma pessoa trabalhadora e com vida digna.
A história foi compartilhada durante entrevista ao podcast Política de Primeira e, segundo ela, resume o papel transformador da escola na vida de crianças em situação de vulnerabilidade.
Assista abaixo: