Professor da UFMT investigado por suposto assédio sexual é solto após 20 dias e fica proibido de se aproximar de estudante

O professor de direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Saulo Tarso Rodrigues, que estava preso preventivamente em meio a uma investigação por suposto assédio sexual e ameaça contra uma estudante do curso em Cuiabá, foi solto nessa terça-feira (1º) após passar 20 dias detido.

A revogação da prisão foi deferida pela Justiça de Mato Grosso por meio de decisão do Juízo das Garantias da Comarca de Cuiabá. Ele havia sido preso no dia 10 de agosto deste ano.

O professor de Direito, da UFMT, Saulo Tarso Rodrigues deixou a prisão após decisão da Justiça, mas deverá cumprir medidas cautelares e manter distância mínima de 500 metros da estudante. – Foto: Reprodução

Conforme a determinação, Saulo não será monitorado eletronicamente, mas deverá observar rigorosamente as cautelares fixadas como a proibição de aproximação da vítima e de seus familiares e testemunhas, observada a distância mínima de 500 metros.

Além disso, ele está proibido de manter contato com a vítima e testemunhas por qualquer meio de comunicação, direto ou indireto, inclusive por intermédio de terceiros, e não deve frequentar a residência e o local de trabalho da estudante.

O descumprimento das cautelares poderá motivar uma nova prisão preventiva.

Outro lado

O Primeira Página entrou em contato com a defesa de Saulo para um posicionamento ou manifestação sobre o caso. A advogada do professor informou que em função do sigilo processual não deve se manifestar.

Já a defesa da estudante, por meio do advogado Yuri da Cunha Silva Machado informou que recebe a decisão com tranquilidade, mas espera que o investigado cumpra as medidas cautelares impostas pela Justiça.

“A defesa da estudante recebe com tranquilidade a decisão que determinou a soltura do Réu Saulo Tarso Rodrigues, e que manteve vigentes as cautelares anteriormente impostas. O Réu possui o direito de responder o processo em liberdade, caso não venha a violar novamente as medidas fixadas pela Justiça”, diz a nota.

A reportagem entrou em contato com a assessoria da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) para verificar quais medidas foram adotadas pela instituição em relação a repercussão do caso criminalmente. Até o momento não houve retorno.

Por Saulo não ter registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), a entidade não se manifestou.

Estudante denuncia professor por perseguição

Uma estudante de 20 anos registrou um boletim de ocorrência no dia 26 de junho deste ano contra o professor Saulo Tarso, de 48 anos, a quem acusa de perseguição e importunação sexual no ambiente acadêmico da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no curso de Direito, em Cuiabá.

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Conforme consta nos autos, a jovem procurou a autoridade policial e relatou que o contato com o professor começou em fevereiro de 2026, no início do semestre letivo. Segundo ela, inicialmente a relação entre os dois era normal, mas, com o passar dos meses, o comportamento dele teria mudado.

De acordo com o relato, o professor teria passado a oferecer caronas à estudante, convidá-la para sair após as aulas e enviar mensagens sugerindo que os dois tomassem vinho juntos. Ela também afirmou que ele costumava se sentar ao lado dela durante as aulas e que a tratava de maneira diferente dos demais alunos.

Tentativa de toques indesejados

A estudante relatou ainda que, durante uma aula, o professor teria tentado tocar sua perna. Segundo o depoimento, após uma primeira tentativa, ele teria insistido e encostado a mão na perna dela por aproximadamente cinco segundos.

Ainda conforme o relato, depois que a estudante se afastou, o professor teria enviado uma mensagem dizendo: “você fica bem de vermelho”.

A jovem afirmou à polícia que alguns colegas teriam presenciado situações que, segundo ela, causaram desconforto, além de terem conhecimento das supostas abordagens insistentes feitas pelo professor por meio da internet.

Outro episódio relatado pela estudante teria ocorrido durante uma palestra. Segundo ela, enquanto os participantes posavam para uma fotografia, o professor teria colocado a mão na parte inferior das costas dela, próximo às nádegas.

Conforme consta no boletim de ocorrência que uma colega da estudante teria percebido a situação e dito em voz alta: “olha a mão boba”.

Bloqueios e novas tentativas de contato

Após os episódios, a estudante afirmou que decidiu bloquear o professor no WhatsApp. Segundo o relato, ele enviava mensagens frequentes de “bom dia”, perguntava onde ela morava, tentava marcar encontros e fazia ligações insistentes.

A jovem também relatou que o professor teria utilizado a própria mãe para tentar entrar em contato com ela. Ainda segundo o boletim, a atual esposa do professor teria enviado uma mensagem à estudante e a apagado posteriormente.

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Depois de ser bloqueado, conforme o relato, o professor teria passado a perguntar sobre a estudante a outros alunos e utilizado outro número de telefone para tentar contato. A jovem afirmou que enviou uma mensagem pedindo para que ele não a procurasse mais e, em seguida, o bloqueou novamente.

Mesmo após o pedido para que mantivesse distância, segundo a estudante, o professor continuou perguntando sobre ela aos demais alunos.

Mensagens por Instagram e SMS

Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, após os bloqueios, o professor teria tentado contato pelo Instagram. Segundo a estudante, nas mensagens ele teria pedido desculpas, afirmado que estava muito triste com a situação e dito que o bloqueio poderia prejudicar sua carreira.

Ela também relatou que, depois de ser bloqueado na rede social, ele teria passado a enviar mensagens por SMS.

Conforme o depoimento, em uma dessas mensagens o professor teria pedido para conversar, afirmado que aquela seria sua última tentativa de contato e declarado que amava a estudante, solicitando que ela respondesse.

Investigação

Os fatos foram registrados como suposta prática dos crimes de perseguição, previsto no artigo 147-A do Código Penal, e importunação sexual, previsto no artigo 215-A.

As acusações descritas no boletim de ocorrência ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes. O registro policial reúne a versão apresentada pela estudante sobre os fatos. O professor não foi condenado e o processo segue em curso.

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