O quiabo que poderia sobrar na lavoura ou perder valor durante os períodos de maior oferta ganhou um destino diferente em Sinop (MT): virou conserva e passou a acompanhar refeições e até churrascos.
A ideia partiu da agricultora familiar e feirante Lenise Schulz. Em uma pequena agroindústria instalada na propriedade da família, ela transforma os alimentos cultivados no local em conservas, doces e geleias. Entre os produtos, porém, foi o quiabo que despertou a curiosidade dos clientes e se tornou um dos diferenciais do negócio.
Excesso de quiabo virou oportunidade
Antes da conserva, Lenise vendia o quiabo in natura em feiras livres, quitandas e restaurantes. O problema aparecia justamente nos períodos de maior produção: com mais mercadoria disponível, o preço diminuía e parte dos alimentos corria o risco de ser perdida.

“Como somos pequenos agricultores, precisamos aproveitar ao máximo aquilo que produzimos. Quando havia muito quiabo, aumentava a oferta no mercado, o preço caía e nós tínhamos perdas. Como eu já trabalhava com outras conservas, comecei a fazer testes e experimentar receitas até chegar ao produto que temos hoje”, conta a produtora.
Com os testes, o vegetal deixou de ser comercializado apenas como matéria-prima e ganhou uma nova possibilidade de consumo. No início, a conserva era preparada somente para a família. A produção começou a ganhar espaço quando Lenise levou o produto para degustação nas feiras.
Quem diz não gostar de quiabo acaba levando para casa
A aparência conhecida do quiabo em uma embalagem de conserva provoca dúvida entre os consumidores. Segundo Lenise, muitas pessoas se aproximam dizendo que não gostam do vegetal, mas mudam de opinião depois de experimentar.
“Muitas chegam dizendo que não gostam de quiabo, mas ficam curiosas. Quando provam, se surpreendem e dizem que lembra um picles. Tem cliente que não imaginava comer quiabo dessa maneira e hoje compra para incluir nas refeições e até para acompanhar no churrasco”, relata.

A degustação se tornou uma das principais formas de divulgação. De acordo com a produtora, são poucos os consumidores que experimentam e saem da feira sem levar ao menos uma unidade.
“Percebi que as pessoas gostavam, voltavam para comprar e ainda indicavam para outras. Foi aí que enxerguei que realmente havia um potencial comercial”, afirma.
Conserva produzida em Sinop chega a outros estados
A produção, que começou em Sinop, passou a ser comercializada também em Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Cuiabá. Por meio de parceiros e revendedores, os produtos ainda chegam ao Pará, Paraná e Rio Grande do Sul.
Durante a expansão do negócio, Lenise recebeu apoio do Sebrae Mato Grosso em capacitações e orientações relacionadas à gestão, precificação e comercialização.

“O Sebrae/MT foi um divisor de águas na minha trajetória. Aprendi muito sobre precificação, margem de lucro e comercialização. A instituição nos ajuda a enxergar o negócio de outra forma e tem aberto muitas oportunidades”, explica.
Segundo o Sebrae, a experiência mostra como a inovação pode surgir de problemas comuns no campo, a partir do melhor aproveitamento da produção. A instituição destaca que as capacitações ajudam pequenos empreendedores a transformar boas ideias em negócios sustentáveis.
-
‘Baunilha da Amazônia’: indígenas de MT apostam no cumaru para gerar renda sem derrubar floresta
-
Estilista de MT faz bolsas com couro de pirarucu e entra em seleção global de moda da Vogue
-
Cursos de graça ensinam de IA a unhas de gel e fabricação de salgados em Cuiabá; veja vagas