Problemas com ônibus durante eleição brasileira repercutem no New York Times

Os problemas no transporte público durante o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil repercutiram no jornal americano The New York Times neste domingo (25). Em Salvador, na Bahia, 370 ônibus foram afetados por atrasos, e a Justiça Eleitoral determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, diante de suspeitas relacionadas à redução da frota no dia da votação.

Na cobertura ao vivo da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o jornal relatou que passageiros enfrentaram dificuldades para chegar às seções eleitorais porque veículos permaneceram parados nas garagens por mais de uma hora.

Fiscalização encontrou 370 ônibus parados em garagens de Salvador durante o segundo turno das eleições presidenciais. – Foto: g1

A situação levou autoridades eleitorais a determinar o retorno dos ônibus às ruas, sob ameaça de multa de aproximadamente US$ 200 mil por hora em caso de descumprimento, segundo a publicação.

O New York Times também informou que um integrante da Justiça Eleitoral federal determinou a prisão de um responsável pelo transporte público local.

Prefeitura atribuiu atrasos a problemas nas garagens

Segundo a reportagem, o prefeito de Salvador, Bruno Reis, afirmou que os atrasos foram provocados por problemas relacionados às garagens dos ônibus e a manifestações políticas.

O prefeito declarou à imprensa que os veículos estavam disponíveis para atender à população.

A publicação americana destacou o episódio em meio à cobertura do segundo turno, marcado por uma disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Fiscalização encontrou 370 ônibus parados

Uma fiscalização do Procon da Bahia identificou 370 ônibus estacionados em garagens de empresas de transporte público de Salvador. Segundo o órgão, havia veículos aptos a circular que permaneciam fora de operação durante o período de votação.

A inspeção ocorreu após denúncias sobre a redução da oferta de transporte na capital baiana.

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou que a prefeitura restabelecesse imediatamente a circulação integral da frota, com frequência equivalente à dos dias úteis e gratuidade para os passageiros.

A decisão, assinada pelo presidente do tribunal, desembargador Maurício Kertzman Szporer, também estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento, valor superior à estimativa em dólares mencionada pelo jornal americano.

O tribunal deu prazo de uma hora para a comprovação do cumprimento da ordem.

Secretário teve prisão determinada e está na França

A Justiça Eleitoral também determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, por suspeita de envolvimento na redução da frota.

Conforme a decisão, uma fiscalização identificou veículos parados em uma garagem do BRT. Um supervisor teria informado que a quantidade de ônibus em circulação estava abaixo da operação dos dias úteis, seguindo orientação da Secretaria Municipal de Mobilidade.

A Prefeitura de Salvador informou que Pablo Souza está em Paris, na França, em missão oficial, e que deve retornar ao Brasil nesta segunda-feira (26) para prestar esclarecimentos. Até a atualização consultada, a ordem de prisão não havia sido cumprida.

Caso ocorre em meio à disputa presidencial

A repercussão internacional ocorre em um momento decisivo da eleição brasileira. O segundo turno coloca frente a frente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Na cobertura, o New York Times apresenta a disputa como uma eleição com consequências políticas que ultrapassam o Brasil, especialmente em relação ao avanço da direita na América Latina e aos interesses dos Estados Unidos na região.

Em Salvador, os problemas no transporte também provocaram divergências políticas. Representantes do governo estadual levantaram suspeitas de que a redução da frota teria sido deliberada, enquanto a prefeitura negou essa interpretação e atribuiu os atrasos a problemas operacionais e manifestações políticas.

Até o momento, não há conclusão judicial definitiva sobre eventual motivação política para a retenção dos ônibus.

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