Presos da Colônia Penal Agrícola de Palmeiras, em Santo Antônio de Leverger, a 35 km de Cuiabá, vão participar de um projeto de produção de mudas e cultivo de café Robusta Amazônico. A iniciativa prevê a implantação de um viveiro de mil metros quadrados e de uma plantação irrigada de cinco hectares, com foco na qualificação profissional e na reintegração social dos detentos.
O projeto faz parte do programa Semeando um Novo Futuro – Reintegração no Campo e busca ampliar as atividades agrícolas realizadas dentro da unidade prisional. A proposta é oferecer aos presos a oportunidade de aprender técnicas de produção rural que poderão ser utilizadas no mercado de trabalho após o cumprimento da pena.
A iniciativa é desenvolvida em parceria entre as Secretarias de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) e Justiça (Sejus) e a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer).
Como vai funcionar a produção de café?
O projeto será desenvolvido em duas frentes. A primeira consiste na implantação de um viveiro de mil metros quadrados, onde serão produzidas mudas de café Robusta Amazônico.
A segunda prevê a formação de um cafezal irrigado em uma área de cinco hectares dentro da colônia penal.
A quantidade de mudas que poderão ser produzidas e a destinação das plantas ainda serão definidas após avaliações técnicas.

A Empaer será responsável por orientar a implantação do projeto, incluindo a escolha das variedades de café mais adequadas às condições da região.
Entre os critérios analisados estão a produtividade das plantas, a qualidade da bebida produzida a partir dos grãos e a adaptação ao clima e ao solo de Santo Antônio de Leverger.
Os técnicos também vão avaliar a disponibilidade e a qualidade da água, além da estrutura necessária para manter o sistema de irrigação.
Segundo o engenheiro agrônomo e pesquisador da Empaer, Wininton Mendes, o acompanhamento técnico será fundamental para garantir que as mudas tenham qualidade e possam ser utilizadas no cultivo.
“Vamos dar todo o apoio à implantação e indicar os materiais mais adequados com base nas pesquisas que consolidamos no estado, para que os produtores tenham acesso a mudas de qualidade”, explicou.
Campo como oportunidade de reintegração
Além da produção agrícola, o projeto busca oferecer capacitação profissional aos presos, permitindo que desenvolvam conhecimentos sobre o cultivo do café e outras atividades relacionadas à agricultura.
A proposta começou a ser discutida em uma reunião com o desembargador Orlando Perri e avançou após uma visita técnica da secretária de Estado de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, à colônia penal.
A visita também contou com a participação do secretário adjunto da Seaf, Bruno Casavechia, e de representantes da Sejus e da Empaer.
Para Andreia Fujioka, o envolvimento dos detentos em atividades produtivas pode contribuir para a construção de novas oportunidades após a saída do sistema prisional.
O diretor da Colônia Penal Agrícola de Palmeiras, Jorge Fontes, também destacou que as atividades rurais permitem aos presos adquirir novas habilidades e ampliar suas perspectivas profissionais.
A iniciativa ainda está em fase de estruturação. Não foram divulgados o número de presos que participarão do projeto nem a previsão para o início da produção das mudas e do plantio do café.
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