No xadrez político de Mato Grosso, a antiga máxima de que “quem manda em casa garante o mandato” caiu por terra.
Um raio-X nos números que elegeram a atual bancada mato-grossense na Câmara dos Deputados revela uma realidade incontornável: por mais forte e consolidado que um político seja em seu município de origem, a chave para Brasília está na capacidade de ultrapassar as divisas municipais e rodar o estado.
Salvo raras exceções, a maioria dos oito parlamentares analisados precisou buscar entre 65% e quase 90% do seu eleitorado longe de seus redutos tradicionais.
A exceção que confirma a regra
No grupo dos eleitos, o ex-deputado Abilio Brunini — que renunciou ao cargo após vencer a disputa pela Prefeitura de Cuiabá em 2024 — foi o único a chegar perto de obter metade da sua votação em casa. Do total de 87.072 votos que o garantiram no Congresso, 47,81% (41.631) vieram da capital, enquanto 52,19% foram buscados no interior.
Todos os outros colegas de bancada registraram uma dependência infinitamente maior do eleitorado “de fora”.
O interior como fator decisivo
O caso mais emblemático de pulverização partidária foi o da saudosa deputada Amália Barros. Em sua vitoriosa campanha com mais de 70 mil votos, apenas 10,19% das urnas de sua cidade, Campo Novo do Parecis, foram responsáveis por sua eleição. Impressionantes 89,81% dos seus eleitores estavam espalhados por outros cantos do território mato-grossense.
Essa mesma lógica de descentralização se repetiu em diferentes espectros e perfis políticos:
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Fábio Garcia: Registrou 83,30% dos seus 98.704 votos fora de Cuiabá;
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Coronel Fernanda: Buscou no interior 84,09% do seu total de 60.304 votos;
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José Medeiros: Conquistou 78,29% do seu eleitorado fora de Rondonópolis;
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Juarez Costa: Teve 78,75% do seu desempenho obtido fora de Sinop;
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Coronel Assis: Dependeu de 73,73% das urnas fora de Várzea Grande;
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Emanuelzinho: Teve 65,28% da sua votação vinda de fora da capital.
A lição das urnas
A engenharia eleitoral para a Câmara dos Deputados em Mato Grosso exige mais do que prestígio municipal ou o apoio de prefeitos locais; exige presença nos polos regionais, alianças estratégicas e capilaridade temática. Quem aposta todas as fichas apenas na cidade onde tem domicílio eleitoral corre o risco de ver a vaga no Congresso escapar no cômputo geral do estado.
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