O policial penal Emerson Geremias foi conduzido à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) após matar o enteado, Átila Yury dos Santos, de 21 anos, nesta quarta-feira (10), na região do Coxipó do Ouro, em Cuiabá. A Polícia Civil investiga o caso e apura se o servidor agiu em legítima defesa.
De acordo com o delegado Nilson Farias, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), os parentes relataram que dois tiros foram disparados e que Átila havia ido visitar a avó materna, que está acamada. Emerson também estava no imóvel. Conforme o delegado, embora o policial penal e a mãe da vítima estejam em processo de separação, ele ainda frequentava o local para prestar apoio à família.
De acordo com a Polícia Civil, padrasto e enteado já tinham um histórico de desentendimentos. Segundo Nilson Farias, no dia anterior ao crime houve uma nova discussão entre eles, ocasião em que o jovem teria danificado a motocicleta da própria mãe. “Os dois não se entendiam. Já havia uma desavença pretérita entre eles”, afirmou o delegado.
Conforme a versão apresentada pelo policial penal à polícia, Átila estaria com uma faca quando os dois se encontraram na propriedade. Emerson alegou que efetuou dois disparos na direção do enteado. Um dos tiros atingiu a face do jovem.
A dinâmica exata da ocorrência, entretanto, ainda é alvo de investigação.
Segundo Nilson Farias, os peritos identificaram indícios de que o disparo que atingiu a vítima pode ter sido efetuado a curta distância. O delegado citou a existência de possíveis sinais de chamuscamento e tatuagem ao redor do ferimento, elementos que serão analisados pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
“Pelo que foi visto no local do crime, parece que o disparo foi bem próximo. Nós vamos aguardar o laudo da necropsia para ter certeza”, explicou.
A polícia também localizou uma faca na cena da ocorrência. No entanto, segundo o delegado, o objeto não estava próximo ao corpo da vítima, circunstância que será considerada durante a investigação.
“A faca foi encontrada, porém não estava tão próxima do corpo. Tudo isso está sendo levado em consideração”, disse.

De acordo com a Polícia Civil, a mãe de Átila relatou que tentou evitar o encontro entre o filho e o padrasto. Ainda assim, os dois acabaram se encontrando na entrada da propriedade, momento em que ocorreu a discussão que terminou em tragédia.
Após os procedimentos periciais, Emerson Geremias e as demais testemunhas foram encaminhados à DHPP para prestar depoimento.
O delegado informou que a decisão sobre eventual autuação em flagrante dependerá da análise dos depoimentos, das provas coletadas e dos laudos periciais. “Vamos ouvir todas as pessoas envolvidas para poder chegar a uma decisão final. A questão da legítima defesa também será analisada”, afirmou.
O caso segue sob investigação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa.