A revisão do Plano Diretor de Lucas do Rio Verde entrou em uma etapa decisiva com a realização de uma audiência pública que reuniu representantes do poder público, empresários, loteadores, profissionais liberais e moradores. O encontro abriu espaço para sugestões e questionamentos sobre os caminhos que o município deverá seguir diante do crescimento urbano previsto para os próximos anos.
Entre os principais temas discutidos estiveram o zoneamento, a expansão da cidade, a criação e continuidade de vias, a infraestrutura necessária para novas áreas, as travessias da BR-163 e as condições para novos empreendimentos imobiliários.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Planejamento e Cidade, Danilo Messias, avaliou que a participação da sociedade demonstra a maturidade do município na discussão do planejamento urbano.
Segundo ele, o Plano Diretor de Lucas do Rio Verde vem sendo construído com participação da sociedade desde 2007 e, neste momento, precisa acompanhar uma cidade que está em processo de expansão.
“Hoje, a gente está olhando, está indo de um Plano Diretor que está dobrando o tamanho da cidade”, explicou.
Danilo destacou que as mudanças precisam considerar tanto o interesse coletivo quanto as áreas privadas que serão impactadas pela expansão urbana. Para ele, sugestões apresentadas por empreendedores e proprietários de áreas são importantes para compatibilizar o planejamento municipal com os futuros investimentos.
“Não há mancha que a gente desenha ali e não afeta ninguém. Ela afeta a população, mas afeta, também, as áreas privadas”, afirmou.
Travessias da BR-163 entram no centro das discussões
Um dos pontos que ganhou destaque durante a audiência foi a necessidade de ampliar as travessias da BR-163. O vereador Hélio Kaminski afirmou que considera o tema urgente diante do crescimento de Lucas do Rio Verde.
Segundo o parlamentar, atualmente o município conta com apenas uma travessia considerada segura, o viaduto, e seria necessário ampliar as alternativas de ligação entre as regiões da cidade.
“Hoje, nós temos apenas uma travessia com segurança, que é o viaduto. Nós precisamos, minimamente, duas ou três”, defendeu.
Hélio também destacou a importância do contorno viário previsto no planejamento, mas avaliou que a questão das travessias precisa estar contemplada no projeto para acompanhar o crescimento do município.
A posição também foi abordada pelo presidente da Câmara, Airton Callai. Ele afirmou que os vereadores são favoráveis à implantação de novas soluções para a travessia da rodovia, mas ressaltou que parte das decisões depende de áreas e estruturas que ainda não estão sob responsabilidade direta do município.
“Não podemos trabalhar em cima do que não é nosso, ainda não é nosso. Então nós temos também que ter esse prazo de paciência, mas as coisas estão acontecendo”, afirmou.
Callai disse ainda que o debate envolveu diferentes alternativas, como viadutos, pontilhões e passagens, com o objetivo de encontrar soluções para a mobilidade da população.
Sistema viário é uma das prioridades
As alterações na malha viária também tiveram espaço significativo na audiência. Segundo Airton Callai, foram discutidas novas conexões e vias paralelas para melhorar o fluxo em diferentes regiões e permitir o desenvolvimento de áreas que atualmente apresentam vazios imobiliários.
Entre os pontos citados estão ligações envolvendo as avenidas Pará, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Goiás, além da continuidade da Beira Mata e da Avenida Amazonas.
Uma das preocupações é preparar a cidade para o crescimento sem criar gargalos de mobilidade no futuro.
“Precisamos dar um norte para o que vai acontecer no Lucas do Rio Verde. E isso inclui investidores, inclui planejamento do que pode acontecer, e aí eu digo de água, esgoto, energia, de obras públicas”, explicou o presidente da Câmara.
Ele acrescentou que o planejamento também deve oferecer segurança jurídica para quem pretende investir no município.
Comércio defende abertura de novas áreas
Representando o setor empresarial, o presidente da CDL Lucas do Rio Verde, Petronilio de Sousa, destacou a importância da participação do comércio no debate sobre o futuro da cidade.
Para ele, além da expansão para novas regiões, é necessário observar áreas que ainda possuem potencial de desenvolvimento dentro da própria cidade.
Um dos exemplos citados foi a Avenida Paraná, cuja abertura é defendida como alternativa para estimular investimentos e melhorar a circulação.
Petronilio avaliou que, enquanto uma solução definitiva não é viabilizada, a criação de vias paralelas pode ajudar a atender a demanda atual, mas sem abandonar o planejamento da avenida para o futuro.
“Lucas do Rio Verde realmente tem aí uma possibilidade de se tornar uma grande cidade e a Câmara está atenta a isso e a sociedade também”, afirmou.
Setor imobiliário pede equilíbrio nas regras
A empresária e loteadora Rafaela Frizzo também participou das discussões e destacou a importância de o setor imobiliário estar presente na elaboração do Plano Diretor.
Ela afirmou que algumas questões relacionadas à entrega de loteamentos ainda precisam ser melhor avaliadas, especialmente em relação às responsabilidades de infraestrutura e urbanização.
Segundo Rafaela, é importante garantir a execução da infraestrutura necessária, mas também discutir a responsabilidade sobre determinadas etapas urbanísticas durante os primeiros anos dos empreendimentos.
“Tem que ter um crescimento ordenado, um crescimento que realmente não aconteça lá na frente, no futuro, dizer assim: isso aqui não teve lá atrás um planejamento e agora acabou se tornando um caos na nossa cidade”, afirmou.
Na avaliação da empresária, o projeto atende de maneira geral às necessidades dos empreendedores, embora ainda existam pontos que precisam ser aperfeiçoados.
“Atende, não 100%, mas atende”, resumiu.
Próximos passos
Após a audiência pública, as sugestões e alterações discutidas deverão passar pelas comissões da Câmara de Vereadores. Conforme Airton Callai, ainda haverá uma etapa de discussão com o setor de planejamento antes da votação.
A expectativa apresentada durante a audiência é que o novo Plano Diretor seja levado à votação nas sessões de outubro.
Entre as mudanças debatidas estão alterações na malha viária, definição de novas conexões entre bairros, ajustes de zoneamento, áreas de expansão e mudanças no tamanho de lotes, inclusive com previsão de regiões onde poderá haver construção de prédios.
Para os participantes, o desafio é estabelecer regras que permitam a expansão de Lucas do Rio Verde sem comprometer mobilidade, infraestrutura, segurança e qualidade de vida.
A discussão ocorre em um momento de forte expansão urbana do município e deve estabelecer diretrizes para os próximos anos. Por isso, a participação de moradores, empresários, loteadores e representantes do poder público foi considerada fundamental para definir os caminhos do crescimento da cidade.
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