Eleito senador, Zé Medeiros diz que ‘Estado precisa se meter menos na vida das pessoas’ e cita Bolsonaro e Alexandre de Moraes

Eleito senador por Mato Grosso no domingo (4), Zé Medeiros (PL) voltou a defender a saída do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e afirmou que o magistrado “sabe que é passado”. A declaração foi dada após o resultado das eleições, que garantiu ao parlamentar uma das duas vagas do estado no Senado.

Medeiros foi questionado sobre uma declaração anterior, dada a uma emissora de rádio, em que teria manifestado o desejo de ver Moraes fora do Supremo até o Carnaval. Ao responder, o senador eleito afirmou que se referia mais a uma expectativa do que a um prazo concreto.

José Medeiros foi eleito senador por Mato Grosso. – Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

“Não, já não dá porque o impeachment demora. A citação tem mais desejo do que uma prática. O impeachment demora aí um, dois, três meses, mas já vai ter um efeito disso aí”, declarou.

Na sequência, Medeiros afirmou que Moraes já teria percebido a mudança na composição política do Senado. “O Alexandre já percebeu isso. O Alexandre sabe que ele é passado”, disse.

A eventual saída de um ministro do STF por impeachment, porém, depende de um processo no Senado. Cabe à Casa processar e julgar ministros do Supremo nos casos de crimes de responsabilidade.

Medeiros cita força do PL no Senado

Durante a entrevista, Medeiros relacionou suas declarações ao desempenho do PL nas eleições para o Senado. Segundo ele, o aumento da bancada dá ao partido força para participar das articulações em torno do comando da Casa. “O PL sozinho tem 28 senadores, muito facilmente ele consegue alcançar uma maioria agora para o seu presidente”, afirmou.

Ao ser questionado sobre um nome para a presidência do Senado, Medeiros citou o senador Rogério Marinho (PL-RN), mas ponderou que a discussão ainda depende das articulações partidárias. “Se for possível a gente fazer a presidência do Senado, Rogério”, respondeu.

Medeiros também afirmou que as definições devem passar por reuniões em Brasília e pelo cenário da disputa presidencial. Segundo ele, o momento exige diálogo para evitar divisões.

“Nós precisamos ouvir e conversar muito também para não causar cizânia no momento em que o Brasil está [em eleição] presidencial”, afirmou.

Eleito com mais de 977 mil votos

Zé Medeiros foi eleito para uma das duas vagas de Mato Grosso no Senado com 977.777 votos, o equivalente a 27,35% dos votos válidos. Ele terminou a disputa em segundo lugar, atrás de Mauro Mendes (União), que recebeu 1.187.352 votos, ou 33,21%.

Com a vitória, Medeiros retorna ao Senado, onde já exerceu mandato entre 2015 e 2019 após assumir como suplente de Pedro Taques. Atualmente deputado federal, ele tomará posse para o novo mandato de senador em fevereiro de 2027.

Na entrevista após a eleição, Medeiros também avaliou o cenário político nacional e defendeu que os parlamentares eleitos deixem as disputas da campanha para trás.

“Agora, passando a eleição, todo mundo tem que quebrar o retrovisor e buscar organizar o que tem para ser organizado nesse país”, afirmou.

O senador eleito ainda defendeu menor interferência estatal e maior segurança jurídica para investimentos. Segundo Medeiros, Mato Grosso enfrenta obstáculos ao desenvolvimento e precisa de um ambiente mais favorável aos negócios. “O Estado precisa se meter menos”, declarou.

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2 Mato Grosso elege dois senadores nas Eleições 2026.

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Medeiros retorna ao Senado após oito anos

José Medeiros, de 56 anos, retorna ao Senado após já ter exercido mandato na Casa entre 2015 e 2019. Nascido em Caicó (RN), ele é formado em Matemática pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e em Direito pelo Centro de Ensino Superior de Rondonópolis. Antes da carreira parlamentar, atuou como professor e policial rodoviário federal e também foi secretário de Trânsito de Rondonópolis, entre 2002 e 2005.

A primeira passagem de Medeiros pelo Senado ocorreu após ele assumir a vaga de Pedro Taques, de quem era primeiro suplente, quando Taques deixou o cargo para governar Mato Grosso. Depois, Medeiros foi eleito deputado federal em 2018 e reeleito em 2022. Agora, com a vitória nas eleições de 2026, volta ao Senado desta vez eleito diretamente para um mandato de oito anos.

Na primeira passagem pelo Senado, Medeiros participou, entre outros episódios, do julgamento do impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Ao encerrar aquele mandato, em 2018, contabilizava 74 projetos de lei apresentados e relatoria de 177 propostas, segundo levantamento divulgado pelo próprio Senado.

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