Seis meses depois de determinar que Eduardo Bolsonaro retornasse ao cargo de escrivão, a Polícia Federal concluiu o processo administrativo aberto contra o ex-deputado e recomendou a demissão dele por abandono de cargo.
O parecer da Corregedoria-Geral da PF foi encaminhado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. A recomendação, no entanto, não representa a demissão imediata: a decisão final caberá ao ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.
Eduardo estava afastado das funções na Polícia Federal para exercer o mandato de deputado federal por São Paulo. Com a perda do cargo parlamentar, ele deveria voltar ao posto que ocupava na corporação.
PF havia determinado retorno
A Mesa Diretora da Câmara declarou a perda do mandato de Eduardo Bolsonaro em 18 de dezembro de 2025. A medida foi tomada porque ele deixou de comparecer a um terço das sessões deliberativas realizadas naquele ano.
Em janeiro de 2026, a Polícia Federal publicou um ato encerrando o afastamento concedido para o exercício do mandato eletivo e determinou o retorno imediato de Eduardo ao cargo de escrivão.
O documento estabeleceu que o afastamento havia terminado em 19 de dezembro de 2025, um dia depois da cassação. Eduardo, porém, permaneceu nos Estados Unidos e não se apresentou para reassumir as funções. Diante das ausências, a PF abriu o processo disciplinar que agora terminou com a recomendação de demissão.
Eduardo permanece nos Estados Unidos
Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Ao anunciar a mudança, ele afirmou que deixava o Brasil por considerar que era alvo de perseguição política.
Em junho deste ano, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou o ex-deputado a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo.
Segundo o STF, Eduardo atuou no exterior para pressionar autoridades brasileiras e tentar interferir no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado. A condenação foi definida por unanimidade.
Nesta segunda-feira (20), Eduardo afirmou ter recebido o green card, documento que autoriza a residência permanente nos Estados Unidos. À Reuters, ele declarou que somente pretende retornar ao Brasil caso seja beneficiado por uma anistia.
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