A Polícia Federal (PF) realiza nesta terça-feira (7) a operação Terra Forjada, em Campo Grande e outras duas cidades de Mato Grosso do Sul. A ação nasce das investigações da operação Pantanal Terra Nullius, que em maio do ano passado revelou um esquema de grilagem de terras da União no Pantanal.
Segundo a PF, dessa vez o objetivo é apurar um esquema de fraude na inserção de informações em sistemas públicos federais para simular posse de terras, públicas e privadas.
“As investigações apontam a manipulação de dados em sistemas públicos federais, com a finalidade de simular domínio ou posse sobre áreas rurais, incluindo terras públicas e propriedades privadas regularmente constituídas. Também foram identificados indícios de fraudes relacionadas à reserva legal, com a inserção de informações inconsistentes para conferir aparência de regularidade ambiental”.
Consta nas investigações que um dos responsáveis pelo esquema teria inserido dados falsos nos sistemas oficiais para promover a apropriação de terra pública e a sobreposição indevida de área particular.
Conforme apurado pela reportagem, mandados de busca e apreensão são cumpridos em Campo Grande, Ponta Porã e Ribas do Rio Pardo.
Na capital, um dos endereços alvo de busca nesta terça-feira é a empresa Toposat Engenharia, que também foi visitada pelos policiais na primeira fase da operação. Pelo menos outros sete endereços recebem equipes da PF nesta manhã.

Pantanal Terra Nullius
A operação Pantanal TerraNullius mirou um grupo suspeito de se apropriar de terras da União com uso de documentos falsos. Conforme divulgado na época, os investigados praticavam fraudes na emissão e comercialização de CRA (Cotas de Reserva Ambiental) – ou TCRAE (Títulos de Cota de Reserva Ambiental Estadual).
Com ajuda de servidores da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul (Agraer), empresários e fazendeiros falsificavam documentos e os inseriam em processos administrativos de titulação para obterem áreas situadas dentro do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, localizado em faixa de fronteira entre Brasil e Bolívia.
Os responsáveis omitiam que as terras eram da União e assim, conseguiam a regularização pela Agraer. Para isso, eram realizados pagamentos de propina, até a emissão de títulos irregulares.
Em maio de 2025 foram cumpridos são cumpridos dez mandados de busca e apreensão em Campo Grande e um em Rio Brilhante.