Uma maneira de driblar a fiscalização nos garimpeiros ilegais na Terra Indígena Sararé, em Pontes e Lacerda (MT), chamou a atenção das autoridades: a construção de bunkers subterrâneos para esconder equipamentos e garantir a retomada da extração de ouro após operações de fiscalização.
A tática, no entanto, passou a ser alvo direto da força-tarefa federal que atua na região. Ao todo, 23 bunkers foram localizados e destruídos. Os maiores tinham cerca de cinco metros de comprimento, enquanto os menores chegavam a dois metros, todos com 1,80 metro de altura.
Dentro dessas estruturas, os agentes encontraram alimentos, freezers, motosserras e diversos equipamentos usados no garimpo ilegal.
Segundo técnicos envolvidos na operação, os esconderijos não possuíam ventilação nem qualquer tipo de comunicação, como internet ou rádio. Ainda assim, eram projetados para permanência prolongada, o que indica planejamento prévio por parte dos criminosos.
A presença de mantimentos e equipamentos reforça o uso estratégico dos bunkers como abrigo e base de apoio. Já o estado de deterioração de alguns itens sugere que os garimpeiros abandonaram os locais recentemente, após o avanço das fiscalizações.
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⚠️ Estrutura para manter o garimpo ativo
Durante incursões no chamado Garimpo do Cururu, considerado o principal da região, os agentes encontraram um gerador de grande porte, avaliado em cerca de R$ 100 mil. O equipamento tinha capacidade para abastecer até 100 barracos ou operar de forma mista, atendendo dezenas de estruturas e equipamentos como freezers e guinchos usados na exploração de ouro.

📉 Prejuízo milionário
Em um mês de operação, o impacto financeiro sobre o garimpo ilegal já é significativo:
- R$ 63 milhões em prejuízo estimado
- Mais de 90 mil litros de diesel retirados
- 190 geradores destruídos ou apreendidos
- 441 motores de garimpo inutilizados
- 971 quilos de explosivos apreendidos
As ações também têm provocado o abandono pacífico de áreas por garimpeiros que atuavam ilegalmente no território.
🌿 Território indígena
A Terra Indígena Sararé pertence ao povo Nambikwara, que atualmente soma cerca de 201 indígenas. Segundo o governo federal, a operação de desintrusão não tem prazo para terminar e seguirá até que a segurança e o uso legítimo da área sejam plenamente restabelecidos.