O ar gelado que pegou a população de Cuiabá de surpresa nos últimos dias exige uma resposta rápida para quem não tem onde se abrigar.
Para amenizar o impacto do frio atípico que quebrou as altas temperaturas da capital, equipes da Prefeitura de Cuiabá e da Defesa Civil foram às ruas na noite de segunda-feira (14) distribuir refeições quentes e cobertores.
Ao todo, a força-tarefa entregou 100 marmitas e 80 cobertores em regiões de grande concentração de vulnerabilidade, como o Beco do Candeeiro, a Praça do Porto e a área dos Eucaliptos, próxima à Rodoviária.
“Se não vem essa ajuda, a gente se junta para esquentar”
Na Praça do Porto, a chegada do abrigo em forma de cobertor trouxe alívio para Leidiane Silva Pereira, de 26 anos. Usuária de cadeira de rodas após sofrer um acidente há seis anos, ela vive no local e relata como a solidariedade entre os próprios moradores é decisiva nos dias frios.
“Quando esfria, a gente fica esperando por vocês. Se não vem essa ajuda dos cobertores, a gente se junta em vários moradores aqui para conseguir ficar quentinho”, conta Leidiane.
Com histórico de trabalho como cuidadora de idosos no interior do estado, Leidiane agora aguarda a conclusão do processo de aposentadoria para dar o passo mais esperado da sua vida: alugar uma casa, sair das ruas e ter um teto para chamar de seu.
Apoio para encarar a rua e o processo de recaída
Na região dos Eucaliptos, o apoio emergencial foi acolhido por Ednalva Caldeira, que vive o desafio do tratamento contra a dependência química. Entre idas e vindas, ela reforça que a ajuda humanitária devolve um pouco de dignidade a quem passa por momentos difíceis.
“Achei uma bênção. A gente que é dependente vai e volta, um dia está bem e no outro não muito. Mas ninguém está na rua porque quer. Ainda bem que a Prefeitura traz essa assistência até nós”, desabafou Ednalva, que aproveitou a oportunidade para sugerir a instalação de bebedouros públicos gelados na cidade para os dias de calor intenso.
Presença nos pontos mais sensíveis da capital
Coordenada pela Secretaria Municipal de Assistência Social, a mobilização pretende manter o acompanhamento enquanto durar a queda na temperatura.
Segundo o diretor de Políticas Públicas para População em Situação de Rua, coronel Cleverson Leite de Almeida, o objetivo vai além da refeição: “Mapeamos e passamos pelos pontos mais críticos onde estão as pessoas mais vulneráveis. É uma questão de proteção, alimentação e, acima de tudo, dignidade humanitária.”
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