Canabidiol para criança com autismo em MT custava quase metade da renda familiar; Justiça manda SUS fornecer

Um menino de 6 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) conseguiu na Justiça o direito de receber canabidiol pelo poder público em Primavera do Leste (MT). O pedido havia sido negado inicialmente, mas a decisão mudou após a apresentação de documentos que apontaram melhora no quadro da criança com o uso do óleo de cannabis.

A decisão determina que o Estado de Mato Grosso e o município de Primavera do Leste forneçam o medicamento no prazo de 15 dias úteis.

Documentos médicos apresentados à Justiça, a resposta clínica e a melhora comportamental ocorreram com a introdução do óleo de cannabis na concentração de 20 mg/ml. – Foto: Stock

A família procurou a Defensoria Pública de Mato Grosso porque não conseguia arcar com o tratamento. Segundo a mãe, de 35 anos, a renda familiar é de aproximadamente R$ 2 mil, enquanto cada frasco do medicamento custa mais de R$ 800 e dura menos de um mês.

Pedido havia sido negado

A Defensoria começou a buscar administrativamente o fornecimento do medicamento em novembro de 2025, quando notificou as secretarias de Saúde do Estado e do município. Sem uma solução, uma ação judicial com pedido de urgência foi apresentada ainda naquele mês.

Inicialmente, porém, a Justiça negou o pedido. A decisão levou em consideração um parecer do Núcleo de Apoio Técnico (Nat-Jus), que apontou a falta de registro formal do canabidiol na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e indicou que outras opções terapêuticas disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ainda poderiam ser utilizadas.

Durante o andamento do processo, a Defensoria apresentou documentos para demonstrar que o menino já havia utilizado Risperidona, antipsicótico oferecido pela rede pública.

Segundo os documentos médicos apresentados à Justiça, a resposta clínica e a melhora comportamental ocorreram com a introdução do óleo de cannabis na concentração de 20 mg/ml.

Os laudos também apontaram que a interrupção do tratamento poderia provocar uma piora significativa no quadro de saúde da criança e comprometer seu desenvolvimento.

Justiça determina fornecimento

Ao analisar definitivamente o caso, o juiz Fabrício Sávio da Veiga Carlota reconheceu o direito da criança ao tratamento e determinou que o Estado e o município forneçam o canabidiol de forma solidária.

Para continuar recebendo o medicamento, a mãe deverá apresentar, a cada seis meses, uma receita médica atualizada ao órgão responsável pelo fornecimento.

A decisão também prevê medidas caso o medicamento não seja entregue dentro do prazo estabelecido. Se houver descumprimento injustificado, a Justiça poderá adotar medidas coercitivas, inclusive o bloqueio de verbas públicas para permitir a compra do canabidiol na rede particular.

O processo foi conduzido pelo defensor público Nelson Gonçalves de Souza Júnior, da Defensoria Pública de Mato Grosso.

  1. Mais de 180 pacientes de Mato Grosso usam canabidiol fornecido pelo SUS

  2. MT abre licitação para comprar produtos à base de cannabis medicinal para atender demandas judiciais

  3. Câmara setorial na ALMT discutirá cannabis medicinal

  4. Mãe faz feijoada para custear tratamento de menino com zika congênita em Cuiabá

  5. “Necessário”, diz idosa que faz tratamento para dores com canabidiol

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia