Olga Beatriz Santos da Silva, de 12 anos, será lembrada pelos parentes como uma menina carinhosa, estudiosa, que pensava no futuro e tinha o sonho de ser policial quando crescesse. A menina foi morta no domingo (7) e o suspeito do crime é o próprio pai dela, Claudinei da Silva, que está preso. A família da pequena cobra celeridade nas investigações.
Ao Primeira Página, advogada Dayanne Rodrigues, representante da família materna de Olga Beatriz, afirmou que os parentes estão extremamente abalados com a morte, mas que guardam na memória lembranças dela em vida.
Nascida em Cuiabá, a menina de apenas 12 anos adorava brincar, passava horas andando de bicicleta, se divertia na piscina e adorava brincar com bonecas. Apaixonada por cachorros, Olga também demonstrava carinho pelos animais.
No entanto, a menina já chamava atenção pelo comportamento comprometido e pensava no futuro. Entre seus passatempos gostava de fazer unhas. O interesse era tanto que chegou a fazer um curso de manicure para aprender mais sobre a atividade que tanto apreciava. A mãe era uma das principais “clientes” da pequena manicure.
Nos estudos, Olga era elogiada pelos professores e demonstrava responsabilidade com as tarefas escolares.
Mesmo jovem, ela já tinha planos para o futuro. Sonhava vestir uma farda e trabalhar na segurança pública: queria ser policial, sonho que fazia parte dos muitos projetos que alimentava para a vida adulta.

Os familiares contam que Olga era uma menina cheia de expectativas. Entre os planos mais recentes estava a comemoração de seu aniversário de 13 anos. Nascida em 1º de setembro, ela já organizava cada detalhe da festa que pretendia realizar nos próximos três meses.

Pai era analfabeto e não sabia ler
Ao Primeira Página, a advogada Dayanne Rodrigues explicou que a mãe da menina possuía medida protetiva contra Claudinei, pois, em determinado momento do relacionamento, ele tentou contra a vida dela. Apesar disso, nunca havia sido agressivo com a filha, segundo ela.
A defensora citou ainda que o pai da menina era analfabeto e conversava apenas por áudio no aplicativo de mensagens. Além disso, Olga não tinha celular próprio, e conversava com o pai pelo celular da mãe, o que contradiz a fala do pai de que teria visto conversas da menina com um garoto em rede social.
Diante disso, o celular foi apreendido pela Polícia Civil e será periciado pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
“Estou acompanhando de forma minuciosa todos os desdobramentos e trâmites investigativos do caso, mantendo os familiares devidamente informados acerca de cada providência adotada pelas autoridades policiais, além de prestar o necessário suporte e acolhimento emocional neste momento de extrema sensibilidade”, contou Dayanne.
De acordo com a advogada, a delegada Jéssica de Assis e a equipe policial tem atuado com comprometimento na apuração dos fatos, na busca e produção de provas para esclarecimento da motivação do crime. A delegada solicitou que a mãe seja acompanhada por psicólogo.
O crime
Olga Beatriz Santos da Silva, de 12 anos, foi encontrada morta com sinais de agressão dentro da casa do pai, Claudinei da Silva, em Várzea Grande. Ele foi preso em flagrante e é apontado pela Polícia Civil como principal suspeito do crime.

Segundo a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Claudinei relatou que teria agredido a filha após encontrar supostas conversas da adolescente com um menino em uma rede social. A versão, no entanto, segue sendo apurada pela investigação.
De acordo com o relato da mãe à polícia, ela foi até a residência do ex-companheiro para buscar a filha e estranhou o comportamento dele. Claudinei teria afirmado que Olga não estava no imóvel e que a menina estaria brincando na casa de uma vizinha.
Desconfiada, a mãe insistiu em entrar na casa e encontrou a filha caída em um dos quartos, desacordada e com diversas marcas de agressão pelo corpo. Com a ajuda de uma amiga, ela levou Olga para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Verdão, mas a menina já chegou ao local sem vida.
Após o crime, Claudinei se apresentou espontaneamente à Delegacia Especializada de Defesa da Mulher e Vulneráveis 24 Horas de Várzea Grande. Conforme a polícia, ele estava sob efeito de álcool, demonstrou arrependimento e apresentou falas consideradas desconexas durante o depoimento.
Diante da gravidade do caso, o juiz Juliano Hermont Hermes da Silva, da Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Várzea Grande, converteu a prisão em flagrante do suspeito em prisão preventiva. A decisão mantém Claudinei detido enquanto as investigações sobre a motivação e as circunstâncias do crime continuam.
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