Mato Grosso registrou, em 2024, uma taxa de internações relacionadas ao consumo de álcool acima da média nacional, segundo levantamento do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), com base em dados do Datasus. Foram 203,9 internações por 100 mil habitantes no estado, enquanto a média brasileira ficou em 196,8, o maior índice já registrado pela série histórica do estudo.
Os dados colocam Mato Grosso entre os estados com maiores impactos do álcool na saúde pública do país. O levantamento considera tanto casos totalmente ligados ao consumo da substância, como dependência alcoólica, quanto ocorrências em que o álcool aparece como fator de risco, incluindo acidentes de trânsito, quedas, cirrose hepática e doenças cardiovasculares.
No ranking nacional, Mato Grosso ficou atrás de estados como Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Piauí, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. O Paraná liderou, com 282,1 internações por 100 mil habitantes, seguido por Espírito Santo, com 267,3, e Mato Grosso do Sul, com 256,3.
O levantamento considera dois tipos de ocorrências: as totalmente atribuíveis ao álcool, que não existiriam sem o consumo da substância, como dependência alcoólica, e as parcialmente atribuíveis, em que o álcool é um fator de risco, mas não a única causa, como cirrose hepática, acidentes de trânsito, quedas e algumas doenças cardiovasculares.
Em todo o Brasil, as internações atribuíveis ao álcool passaram de 336,9 mil em 2010 para 418,4 mil em 2024, alta de 24,2%. O estudo também mostra uma mudança no perfil dos pacientes internados.
A população com 55 anos ou mais foi a que mais cresceu entre os casos atribuíveis ao álcool, passando de 86,4 mil internações em 2010 para 157,2 mil em 2024, alta de 81,9%. Em 2024, esse grupo representou 37,6% do total de internações relacionadas ao álcool no país.

Além das internações, Mato Grosso também aparece com taxa de mortalidade acima da média em óbitos atribuíveis ao álcool. Em 2023, o estado registrou 37,6 mortes por 100 mil habitantes, enquanto a média nacional foi de 34,5. No país, a mortalidade total relacionada ao álcool cresceu 10,2% entre 2010 e 2023.
Entre as principais causas de internações parcialmente atribuíveis ao álcool em 2024 estão acidentes de trânsito, outras lesões não intencionais e quedas. Já entre os óbitos, a cirrose hepática lidera a lista, seguida por acidentes de trânsito, violência interpessoal e doenças cardiovasculares.
O levantamento aponta ainda que, enquanto as internações relacionadas ao álcool cresceram, o número de leitos psiquiátricos no Brasil caiu 43,2% entre 2010 e 2024. No período, os leitos passaram de 50,2 mil para 28,5 mil, reduzindo a participação no total de leitos de 10,9% para 6,3%.