Com previsão de um El Niño que pode atingir intensidade forte ou muito forte, Mato Grosso colocou 40 municípios no radar para reforçar a preparação contra ondas de calor, seca, queimadas, fumaça e doenças associadas às mudanças no clima. A estratégia também prevê respostas para chuvas intensas, alagamentos e inundações.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) criou uma Sala de Situação em Saúde para acompanhar os impactos do El Niño 2026-2027 e de eventos climáticos extremos. A medida consta em portaria publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (13).
Segundo o documento, uma atualização do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe), de julho deste ano, aponta condições oceânicas e atmosféricas compatíveis com El Niño, com previsão de manutenção pelo menos até o trimestre entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
A portaria destaca ainda elevada probabilidade de o fenômeno atingir intensidade forte ou muito forte entre agosto e outubro de 2026.
Calor, fumaça e doenças estão entre os riscos
A preocupação da Saúde vai além da falta de chuva. Conforme a portaria, a combinação de temperaturas acima da média e déficit de precipitação em áreas do Centro-Oeste pode intensificar ondas de calor, baixa umidade, secas, estiagens, queimadas e incêndios florestais, além de piorar a qualidade do ar.

A fumaça pode provocar impactos respiratórios, cardiovasculares e oculares, além de afetar gestantes, crianças e trabalhadores expostos.
O El Niño também pode alterar o regime de chuvas e favorecer outros eventos extremos. Entre os problemas de saúde que serão acompanhados estão arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, doenças transmitidas por água e alimentos, problemas relacionados ao calor, doenças respiratórias e cardiovasculares, acidentes e impactos na saúde mental.
A SES também deverá acompanhar possíveis efeitos sobre o funcionamento dos serviços de saúde, incluindo abastecimento de água e energia, transporte, climatização, estoques de medicamentos, cadeia de frio e fornecimento de oxigênio.
40 municípios estratégicos
01Cáceres
02Pontes e Lacerda
03Cuiabá
04Tangará da Serra
05Poconé
06Marcelândia
07Barra do Garças
08Nova Mutum
09Várzea Grande
10Vila Bela da Santíssima Trindade
11Comodoro
12Lucas do Rio Verde
13Feliz Natal
14Nova Bandeirantes
15Confresa
16Sorriso
17Sinop
18Brasnorte
19Juara
20Colniza
21Guarantã do Norte
22Apiacás
23Aripuanã
24Juína
25Rondonópolis
26Campo Novo do Parecis
27Alta Floresta
28Primavera do Leste
29Mirassol d’Oeste
30Barão de Melgaço
31Cotriguaçu
32Porto dos Gaúchos
33Paranatinga
34Peixoto de Azevedo
35Cláudia
36Campinápolis
37Querência
38Água Boa
39Nossa Senhora do Livramento
40Diamantino
Os planos de ação dessas cidades serão acompanhados pela Sala de Situação, com definição de prioridades, responsáveis, prazos e necessidades de apoio.
Crianças, idosos e gestantes terão atenção especial
A portaria determina atenção prioritária às populações consideradas mais vulneráveis aos efeitos dos eventos climáticos extremos.
Estão nesse grupo crianças, idosos, gestantes e puérperas, pessoas com doenças crônicas ou deficiência e trabalhadores expostos ao calor e à fumaça.
A lista inclui ainda povos indígenas e quilombolas, populações do campo, da floresta e das águas, pessoas em situação de rua e privadas de liberdade.
Sala poderá recomendar operação de emergência
A Sala de Situação vai reunir informações meteorológicas, ambientais e de saúde para antecipar cenários e orientar as medidas adotadas em cada região.
Entre as atribuições estão monitorar ameaças, casos de doenças, mortes, capacidade de atendimento da rede de saúde, infraestrutura e disponibilidade de insumos.
O grupo trabalhará com cinco estágios: normalidade, mobilização, alerta, situação de emergência e crise. Caso o cenário avance para os dois últimos níveis, deverá ser feita uma avaliação imediata sobre a necessidade de ativar o Centro de Operações de Emergências em Saúde do estado.
Também estão previstos um painel integrado de saúde e clima, mapa de risco e vulnerabilidade por município e região, emissão de alertas e relatórios, além da atualização de planos de contingência.
Em condições normais, as reuniões da Sala de Situação serão mensais. A frequência poderá aumentar conforme o agravamento do cenário.
A estrutura funcionará até 31 de maio de 2027, com possibilidade de prorrogação caso os riscos climáticos ou sanitários permaneçam.
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