A manhã deste sábado (4) foi de trabalho intenso no local da tragédia aérea que deixou dois mortos, em Campo Grande. Os técnicos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), juntamente com os peritos da Polícia Civil, recolheram o motor e as hélices da aeronave para que passem por uma análise pericial detalhada. A expectativa é de que os resultados ajudem a esclarecer as causas do acidente que tirou a vida do piloto Henrique Martin e da pesquisadora alemã Lydia Möcklinghoff.
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A suspeita inicial é de que a fatalidade tenha sido provocada por uma condição conhecida na aviação como desorientação espacial, quando o piloto perde a capacidade de interpretar corretamente as condições do voo, como atitude, altitude ou velocidade da aeronave. O mau tempo pode ter prejudicado a visibilidade do piloto, que teria tentado fazer um pouso forçado em uma pista privada.
No entanto, a confirmação das causas da queda ainda depende da conclusão dos laudos, conforme o perito criminal da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, Domingos Sávio Ribas.
“A gente não pode afirmar com certeza isso aí [desorientação espacial] sem averiguar a parte mecânica da aeronave, a parte de equipamentos, os aviônicos da aeronave, ver se houve alguma pane, tá? Para depois a gente poder afirmar qualquer causa pertinente.”
Domingos Sávio Ribas.
Com base em uma análise preliminar feita no local, o perito explicou como pode ter ocorrido a queda em um matagal, próximo ao Aeroporto Santa Maria, na saída para Três Lagoas.
“Aparentemente, a parte direita dela tocou primeiro no solo. Então, o campo onde ficaram os destroços é um campo curto, de 20 metros. Então, é uma queda praticamente vertical, com alta velocidade.”
Domingos Sávio Ribas.
Motor e hélices passarão por perícia
Os equipamentos recolhidos neste sábado foram lacrados e serão encaminhados para uma oficina homologada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), explicou Ribas.

“Aí vamos agendar uma data junto com os técnicos do Cenipa para proceder à abertura desses motores e verificar se houve alguma eventual pane interna. Como a aeronave é daqui do Estado, temos que ver qual é a oficina que fazia a manutenção dela. Provavelmente, as peças podem ficar aqui mesmo no Estado.”
Domingos Sávio Ribas.
Quanto ao restante dos destroços do avião, eles só serão liberados para retirada do local pela Amapil, empresa proprietária da aeronave, após a conclusão de todos os trabalhos periciais.
A empresa lamentou o ocorrido, por meio das redes sociais, e informou que “não se manifestará sobre aspectos técnicos ou circunstâncias do acidente até a conclusão dos trabalhos oficiais”. Ao Primeira Página, a empresa acrescentou que aguarda o laudo do Cenipa e que deve “marcar uma coletiva de imprensa na próxima segunda-feira para pronunciamento oficial”.
A queda
O acidente ocorreu por volta das 6h da manhã de sexta-feira (3), próximo a uma pista privada na saída para Três Lagoas. Segundo a Polícia Civil, o mau tempo pode ter prejudicado a visibilidade do piloto, que teria tentado fazer um pouso forçado, resultando no acidente.
Henrique e Lydia estavam a caminho do Pantanal. Lydia era reconhecida internacionalmente pelos estudos sobre o tamanduá-bandeira no Pantanal de Mato Grosso do Sul. A perícia encontrou exemplares de um livro da pesquisadora entre os destroços da aeronave.