Na linha de frente de um dos surtos de Ebola de crescimento mais rápido já registrados, Médicos Sem Fronteiras (MSF) mantém centros de tratamento, unidades de isolamento e equipes de vigilância em diferentes regiões da República Democrática do Congo.
Do início da epidemia até 14 de julho, a organização recebeu mais de 968 pacientes, entre casos suspeitos e confirmados. Desse total, 357 tiveram diagnóstico positivo para a doença e 116 conseguiram se recuperar após receber tratamento e acompanhamento médico.
A atuação ocorre em meio a um cenário de quase 2 mil casos confirmados e mais de 700 mortes em apenas dois meses. Diante da velocidade de propagação, a MSF pede que governos e organizações humanitárias ampliem urgentemente os recursos destinados ao enfrentamento da doença.
Sete centros e mais de 430 leitos
Atualmente, Médicos Sem Fronteiras opera sete Centros de Tratamento de Ebola e mais de 15 unidades de isolamento nas províncias de Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul e Tshopo.
Juntas, as estruturas oferecem mais de 430 leitos para receber pessoas com suspeita ou confirmação da doença.
Além do atendimento dentro das unidades, as equipes apoiam o Ministério da Saúde congolês em atividades de vigilância epidemiológica, identificação de novos casos, mobilização comunitária e treinamento de profissionais.
A organização também atua para preservar o acesso da população a outros serviços essenciais de saúde, que acabam prejudicados pela concentração de recursos no combate à epidemia.
Centro opera próximo do limite
Em Bunia, uma das cidades mais afetadas, o Centro de Tratamento de Ebola Elikiya possui 90 leitos e funciona quase sempre próximo da capacidade máxima.
Segundo a organização, moradores relatam que preferem aguardar em casa até que uma vaga esteja disponível. Essa demora faz com que muitos pacientes procurem atendimento somente quando a doença já está em estágio avançado.
A chegada tardia reduz as chances de recuperação e aumenta o risco de transmissão para familiares e outras pessoas da comunidade.
Em Mongbwalu, as equipes da MSF já trataram 57 sobreviventes, mas registraram a morte de mais de 110 pacientes desde o início das atividades de resposta.
Atuação vai além do tratamento
O trabalho de Médicos Sem Fronteiras não se limita aos centros de atendimento. A organização também participa do rastreamento de pessoas que tiveram contato com pacientes infectados, da coleta de amostras e da orientação às comunidades.
Entre as medidas consideradas fundamentais estão a ampliação dos testes, a identificação precoce dos casos, o isolamento rápido dos pacientes e a realização segura e digna dos sepultamentos.
A aproximação das equipes com as comunidades é apontada como uma das principais estratégias para interromper a transmissão. Em regiões afastadas, o acesso limitado aos serviços médicos permite que pessoas infectadas permaneçam por mais tempo sem diagnóstico.
Conflitos dificultam chegada das equipes
A epidemia ocorre em meio a conflitos armados, deslocamentos populacionais e outras emergências de saúde pública.
A insegurança impede ou atrasa a chegada dos profissionais a algumas comunidades. Restrições de deslocamento e fechamento de fronteiras também dificultam o envio e a substituição de especialistas em Ebola.
Ao mesmo tempo, as equipes precisam atender pacientes com outras doenças, como cólera e malária. A chegada da estação chuvosa pode elevar os casos de malária e pressionar ainda mais hospitais e unidades de saúde.
MSF pede reforço internacional
Para Médicos Sem Fronteiras, a resposta atual ainda não acompanha o ritmo da epidemia. A organização defende o aumento imediato do financiamento, das equipes e das estruturas destinadas ao atendimento.
A preocupação é que a falta de recursos provoque novas transmissões, aumente a mortalidade e leve o surto a regiões que ainda não possuem centros preparados para receber pacientes.
A MSF alerta que o controle da epidemia dependerá de uma resposta internacional coordenada, capaz de ampliar o diagnóstico, o tratamento e a vigilância sem deixar de atender outras necessidades básicas da população congolesa.
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