O médico e cirurgião plástico Lucas Danillo Moreira de Jesus foi indiciado por lesão corporal de natureza gravíssima, além de falsidade ideológica, após quatro pacientes apresentarem sequelas irreversíveis em cirurgias feitas em Barra do Garças (MT) em 2023. As cirurgias investigadas incluem redução e levantamento de mamas, colocação e substituição de próteses e lipoaspiração, as quais apresentaram deformidades, cicatrizes e até a necrose do tecido auricular.
As cirurgias foram realizadas no mesmo ano em que ele transferiu seu registro do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Rio de Janeiro, para Mato Grosso, em 25 de abril de 2023. Lucas possui especializações em cirurgia geral e cirurgia plástica.
A inscrição dele no CRM de São Paulo foi cancelada, e, mesmo assim, ele continua fazendo agendamentos para consultas no estado. A conduta é vedada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), uma vez que, de acordo com a Lei nº 3.268/1957, a inscrição no Conselho Regional do estado é obrigatória para o exercício da medicina naquela jurisdição, podendo configurar exercício ilegal da profissão.
Em seu perfil profissional no Instagram, que reúne cerca de 20 mil seguidores, o cirurgião rotineiramente publica resultados de pacientes e faz publicações temáticas. Contudo, não fez manifestações públicas sobre o caso e, procurado pela equipe do Primeira Página, também não respondeu.

Entenda o caso
A Delegacia de Polícia de Barra do Garças concluiu o inquérito que investigava a conduta do médico por complicações decorrentes de cirurgias plásticas. O relatório final, emitido em 17 de agosto de 2026, indiciou o profissional pelos crimes de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica. O caso segue agora para análise do Poder Judiciário.
A investigação reuniu prontuários, exames, laudos periciais da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e depoimentos de profissionais e de quatro pacientes. As mulheres relataram ter sofrido complicações graves após os procedimentos, como dores persistentes, assimetrias, cicatrizes e deformidades.
Entre os relatos colhidos, destaca-se o de uma paciente que afirmou ter sofrido necrose nas aréolas e problemas de cicatrização após passar por duas intervenções, em 2023 e 2024. A perícia da Politec confirmou sequelas permanentes e comprometimento estético nas mamas e mamilos de duas das vítimas; nos outros dois casos, os critérios técnicos não caracterizaram lesão corporal legalmente.
A Polícia Civil também apurou indícios de adulteração em documentos médicos. Durante a retirada de uma prótese mamária, o implante teria se rompido, fato que foi omitido do relatório cirúrgico. Embora os peritos não tenham estabelecido nexo causal entre o rompimento e as dores da paciente, a polícia apontou indícios de omissão intencional de informação relevante no prontuário.
Em depoimento à polícia, o médico negou ter agido com negligência, imprudência ou imperícia, atribuindo as complicações a fatores biológicos individuais e à resposta cicatricial de cada organismo. Ele afirmou ter prestado assistência pós-operatória e se colocado à disposição para correções.
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