Max Russi propõe plebiscito e audiência pública no STF para resolver disputa territorial entre Mato Grosso e Pará

O impasse histórico envolvendo os limites geográficos e a gestão administrativa da divisa norte do estado retornou à pauta jurídica nacional. A disputa pela demarcação territorial com o Pará voltou ao centro do debate após novas propostas apresentadas no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília (DF). O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi, defendeu nesta quarta-feira (10) medidas urgentes para construir uma solução consensual para a área em conflito, que abrange cerca de 22 mil km².

A falta de uma definição jurídica definitiva gera impactos diretos na qualidade de vida e no atendimento básico prestado à população local.

Três propostas são apresentadas ao STF para solucionar o impasse na divisa

Durante a audiência de conciliação conduzida na Suprema Corte, o chefe do Poder Legislativo mato-grossense formalizou três caminhos estratégicos para pacificar a região. A principal sugestão consiste na realização de um plebiscito oficial, transferindo aos próprios moradores da área em litígio o direito de decidir a qual estado desejam pertencer administrativamente. Para o parlamentar, ouvir a população é o passo fundamental para conferir legitimidade ao processo de demarcação.

Além da consulta nas urnas, o deputado cobrou uma aproximação física do Judiciário com a realidade do campo. As diretrizes propostas pela liderança do parlamento estadual ao STF reúnem:

  • Consulta Popular: Convocação de plebiscito para que a população local vote sobre a vinculação estadual;
  • Audiência In Loco: Realização de uma audiência pública na própria região de conflito com a presença de representantes do STF;
  • Guarda Jurídica: Criação de um mecanismo de segurança jurídica para os prefeitos dos municípios mato-grossenses envolvidos;
  • Blindagem Fiscal: Evitar punições ou questionamentos por órgãos de controle, como o Tribunal de Contas, na aplicação de recursos em áreas limítrofes.

Falta de demarcação obriga moradores a viajarem mais de mil quilômetros por serviços

O argumento central para acelerar o acordo baseia-se nas dificuldades cotidianas enfrentadas pelas famílias que residem na faixa territorial disputada. Max Russi relatou que a indefinição geográfica impede investimentos estruturais robustos e força cidadãos a percorrerem distâncias extremas para obter consultas médicas, insumos e educação. Há registros de moradores que viajam mais de mil quilômetros dentro do território paraense para receber assistência que poderia ser ofertada de forma imediata por municípios mato-grossenses vizinhos.

Essa integração socioeconômica prática já sobrecarrega os cofres das prefeituras do norte de Mato Grosso. Conforme dados oficiais apresentados no STF, mais de 20 mil atendimentos de saúde a cidadãos do Pará já foram absorvidos e realizados por hospitais e postos mato-grossenses via Sistema Único de Saúde (SUS), demonstrando que o acolhimento do estado vizinho já é uma realidade consolidada.

Raio-X do Conflito Territorial MT-PA Dados Técnicos e Propostas (2026)
Dimensão da Área em Litígio Aproximadamente 22 mil km²
Instância de Mediação Supremo Tribunal Federal (STF) – Brasília
Principal Proposta da ALMT Realização de Plebiscito com moradores locais
Atendimentos SUS Computados Mais de 20 mil paraenses acolhidos em MT
Objetivo com Gestores Locais Garantir segurança jurídica contra órgãos de controle

As tratativas seguem sob análise dos ministros do Supremo Tribunal Federal, e a expectativa das lideranças políticas de Mato Grosso é que a corte valide a abertura dos canais de escuta social, permitindo um desfecho que priorize o bem-estar humano em detrimento de divisões cartográficas cartoriais.

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