Mato Grosso vê feminicídios subirem 11% e registra explosão em crimes que antecedem mortes

Mato Grosso atingiu marcas alarmantes nos indicadores de violência contra a mulher. De acordo com os dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados nesta quinta-feira (23), 53 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025 no estado — um aumento de 11% em relação aos 47 casos computados em 2024.

Sete das vítimas fatais contavam com medidas protetivas de urgência ativas quando foram assassinadas.

Com uma taxa de 2,7 mortes a cada 100 mil mulheres, Mato Grosso ocupa a terceira posição entre os estados mais letais do país para a população feminina, ficando atrás apenas do Acre (3,2) e de Rondônia (2,9).

Disparada nas tentativas e o risco invisível em Mato Grosso

A escalada da violência de gênero se manifesta de forma crítica na disparada das tentativas de feminicídio, que subiram 38,7% — saltando de 171 registros em 2024 para 241 em 2025. Com uma taxa de 12,5 tentativas por 100 mil mulheres, o estado amarga o 2º lugar nacional nesse indicador.

O levantamento reforça que o autor da tentativa não desistiu da ação, mas foi impedido por circunstâncias alheias à sua vontade. Sem intervenções efetivas e céleres da rede de proteção, sobreviventes desses ataques seguem em risco permanente de se tornarem vítimas de feminicídio consumado.

A “escada da violência”

O estudo detalha que o feminicídio raramente é um fato isolado, representando o ponto final de um ciclo gradativo de agressões. Os dados do Anuário apontam para um aumento expressivo nos crimes que antecedem a violência letal:

  • Violência Psicológica: Teve a maior alta do período, com salto de 70,3% na taxa por 100 mil mulheres (passando de 2.151 para 3.720 registros);
  • Perseguição (stalking): Cresceu 31,6% na taxa por 100 mil mulheres, subindo de 2.221 para 2.970 ocorrências;
  • Lesão Corporal: Registrou alta de 5,5% na taxa proporcional, somando 9.954 casos em 2025 contra 9.287 no ano anterior;
  • Ameaça: Foi a única tipificação a apresentar redução (-2,3%), caindo de 19.018 para 18.876 ocorrências.

Segundo especialistas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a trajetória do agressor costuma evoluir dos abusos verbais e psicológicos para a violência física e perseguição ostensiva, descumprindo ordens judiciais até culminar na investida fatal.

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