Mato Grosso é o único estado do país em que há mais homens solteiros do que mulheres solteiras, segundo dados do último Censo. O cenário tem relação com a chegada de trabalhadores de diferentes regiões do Brasil, atraídos pelas oportunidades no agronegócio, e foi destaque do Globo Repórter desta sexta-feira (7).
O programa mostrou como a migração de homens em busca de oportunidades nas lavouras de milho, soja e algodão ajuda a explicar esse cenário. Na zona rural, encontrar alguém para se relacionar nem sempre é simples. “Se quiser encontrar uma mulher solteira, tem que ir lá na cidade”, respondeu.
Entre os trabalhadores está Alan Weinch, de 20 anos, que deixou o Rio Grande do Sul e atravessou o país atrás de uma oportunidade melhor de trabalho. Foi a primeira vez que saiu da casa dos pais. Atualmente, ele opera uma máquina usada na proteção da fazenda contra incêndios.
“Eu saí de casa com medo, mas deu tudo certo, não deu errado, não.É, bastante coragem. Se não tem coragem, não vem, não”, contou
William Balen também saiu do Sul do país. Ele veio de Santa Catarina, tem 27 anos e trabalha como monitor de campo, percorrendo diariamente as plantações para identificar pragas que possam ameaçar a safra de algodão.
No momento, relacionamento não aparece no topo da lista de prioridades. “Eu saí de casa quando eu tinha 18 anos. Mas o meu foco principal é o agro, o trabalho, a força de vontade que um dia vai ter retorno. Eu amo o que eu faço. Eu tenho 27 anos hoje. Minha meta é ter um casamento a partir dos 30 anos de idade”, afirmou.
A decisão de adiar o casamento acompanha um movimento observado no restante do país. Segundo os dados apresentados pelo programa, as mulheres brasileiras se casam atualmente, em média, aos 29 anos, enquanto os homens chegam ao casamento aos 31.
Liberdade de um lado, solidão do outro
Para os trabalhadores das fazendas, a solteirice também tem vantagens e desvantagens.
“Sai a hora que quer e volta a hora que quer e não depende de ninguém, não precisa dar explicação”, disse um dos entrevistados sobre o lado positivo de estar solteiro.
A distância da família também faz parte da rotina de quem atravessa o país para trabalhar no campo. Erisson, que é separado, deixou Alagoas para trabalhar em uma fazenda e ficou longe da filha de 10 anos.
Questionado sobre o que havia deixado para trás, citou a família e a filha enquanto busca realizar os próprios sonhos.

Até o namoro acompanha o calendário da safra
No campo, não é apenas o trabalho que acompanha o ritmo das safras. Para alguns trabalhadores, a vida amorosa também acaba entrando nesse calendário.
Durante os períodos mais intensos da produção, sobra pouco tempo para sair. A situação muda depois da colheita, durante a entressafra. “A melhor época para relacionamento, é depois que acabam as colheitas. A gente tem uma parada entre safra”, respondeu um dos trabalhadores.
William, apesar de dizer que o foco atual está no trabalho, já sabe o que procura quando chegar a hora de encontrar uma companheira.
“Trabalhadora. Que ame pelo menos o agro. E que seja companheira, parceira. Para o que der e vier, caminhar junto”, completou.
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