Muito além da estética, as cirurgias oculoplásticas têm tido alta demanda em consultórios oftalmológicos por seus benefícios funcionais e impacto direto na saúde ocular. Apesar da popularidade, ainda há um equívoco comum: associar a plástica ocular apenas à aparência. Em diversos casos, a cirurgia não é uma escolha estética, mas uma necessidade clínica.
Segundo o oftalmologista e doutor em medicina pela UNESP, Igor Leonardo Chaves, especialista na área, a oculoplástica é uma subespecialidade da oftalmologia voltada ao diagnóstico e tratamento das alterações das pálpebras, vias lacrimais, órbita e região ao redor dos olhos. Ela envolve tanto aspectos funcionais quanto reconstrutivos e estéticos.
“Embora alguns procedimentos tenham impacto estético, a oculoplástica vai muito além disso. Muitas cirurgias são realizadas para melhorar a visão, proteger os olhos, tratar lacrimejamento, corrigir pálpebras mal posicionadas e até retirar tumores. No dia a dia, grande parte dos casos tratados tem indicação funcional e médica, com impacto direto na visão, no conforto ocular e na qualidade de vida do paciente”, explica o médico.
De acordo com Igor, entre as alterações mais comuns na vida dos pacientes que os levam a procurar um especialista em oculoplástica estão:
- Pálpebra caída obstruindo a visão;
- Excesso de pele reduzindo o campo visual;
- Lacrimejamento por obstrução das vias lacrimais;
- Tumores palpebrais;
- Alterações que impedem o fechamento adequado dos olhos ou causam irritação ocular constante.
Já entre os procedimentos oculoplásticos mais indicados e realizados atualmente estão: a blefaroplastia, correção de ptose palpebral, cirurgias das vias lacrimais, retirada de lesões palpebrais, correção de entrópio e ectrópio, além de procedimentos reconstrutivos e orbitários.
Diferenças entre blefaroplastia e correção de ptose
Cirurgia plástica que remove o excesso de pele e as “bolsinhas” de gordura embaixo dos olhos, a blefaroplastia pode ter tanto indicação estética quanto indicação funcional. O procedimento é feito por meio de incisões nas pálpebras, no entanto, já existem técnicas a laser, que são minimamente invasivas.
“Em muitos casos, é feita para rejuvenescimento da região dos olhos. Mas, em outros, é indicada para remover excesso de pele que está pesando sobre as pálpebras e comprometendo o campo visual”, cita o médico.
Já a correção de ptose palpebral, a famosa pálpebra caída, é feita na parte superior dos olhos. Em alguns casos pode até mesmo afetar a visão quando não realizada, já que pode cobrir parcial ou totalmente o campo visual do paciente. Na prática, o paciente passa a fazer esforço para enxergar, levanta a testa o tempo todo, eleva o queixo ou sente dificuldade para ler, dirigir e realizar tarefas do dia a dia.
“Nesses casos, a correção deixa de ser apenas estética e passa a ser funcional. A cirurgia busca reposicionar ou reforçar a musculatura responsável por elevar a pálpebra. O objetivo é elevar a pálpebra de forma segura, melhorar a abertura dos olhos e restabelecer tanto a função quanto a harmonia estética”, explica Igor.
Tumores nas pálpebras também podem afetar a visão. Nestes casos, o especialista explica que podem ocorrer com relativa frequência, principalmente em adultos e idosos.
“Alguns são benignos, mas outros podem ser malignos. O diagnóstico é feito por avaliação clínica e, em muitos casos, confirmação por biópsia. O tratamento costuma envolver remoção cirúrgica e, dependendo do caso, reconstrução da região”, conclui.
Tratamento de vias lacrimais
Casos de lacrimejamento excessivo são comuns e podem acontecer por irritação ocular, olho seco, inflamação ou obstrução das vias lacrimais. Nestes casos, quando a causa é obstrutiva ou anatômica, e o quadro é persistente, muitas vezes o tratamento cirúrgico é a melhor solução.
“Em casos inflamatórios ou leves, pode haver tratamento clínico. Mas quando existe obstrução anatômica das vias lacrimais, muitas vezes é necessário tratamento cirúrgico para restabelecer a drenagem normal da lágrima”, diz o médico.
Como diferenciar, na prática, um caso estético de um funcional?
A diferenciação de um caso estético e um funcional é feita de acordo com a história do paciente, exame clínico detalhado e, em alguns casos, documentação fotográfica e avaliação do campo visual.
O médico narra que, quando há prejuízo real da visão, do conforto ocular ou da proteção da superfície ocular, estamos diante de um problema funcional. No entanto, em muitos casos, é possível que um mesmo procedimento traga benefícios tanto estéticos quanto funcionais.
“Ao corrigir uma pálpebra caída ou retirar excesso de pele, o paciente passa a enxergar melhor e, ao mesmo tempo, apresentar aspecto mais rejuvenescido. O impacto costuma ser positivo e muitos relatam melhora não apenas na visão, mas também na autoconfiança, na disposição e na forma como se sentem socialmente. Quando a região dos olhos melhora, isso repercute bastante na imagem pessoal”, exemplifica.
Em muitos casos, é perceptível a melhora precoce, principalmente quando há obstrução da visão. No entanto, há um período inicial de recuperação com edema e adaptação, cujo resultado fica mais evidente ao longo de dias e semanas.
