O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, determinou nesta sexta-feira (24) a soltura do empresário Andreson de Oliveira Gonçalves, detido em uma penitenciária federal, em Brasília (DF). Ele foi alvo da Operação Sisamnes, da Polícia Federal, e pivô de um suposto esquema de venda de sentenças em vários Tribunais de Justiça do Brasil e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Ao Primeira Página, o advogado Eugenio Pacelli, um dos integrantes da defesa de Andreson, informou que a decisão de Zanin acolheu os argumentos sobre o excesso de prazo da prisão, quando uma prisão preventiva ou temporária se estende além do tempo razoável para a conclusão das etapas processuais.
Com isso, foi determinada a soltura com imposição de medidas cautelares como monitoramento por meio de uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento noturno. Andreson também fica proibido de manter qualquer tipo de contato com outros investigados da Operação.
Andreson estava preso desde novembro de 2024, com período alternados com prisão em presídio federal e também em prisão domiciliar.

Ainda segundo Pacelli, o cliente está muito magro e apresenta saúde debilitada. Com a soltura deve fazer novos exames e tratamento médico.
Imagens de Andreson extremamente magro circularam nas redes sociais no fim do ano passado. Policiais penais chegaram a alegar que ele estaria fazendo “jejum voluntário”, no entanto, a defesa nega e atribui o fato à dificuldades de tratamento de saúde e alimentação na prisão.
Laudo médico particular enfatizou que o ele é bariátrico e portador de polineuropatia, doença neurológica que afeta múltiplos nervos periféricos simultaneamente, causando formigamento, dormência e dor, geralmente começando nos pés e mãos, comprometendo sensibilidade, força e equilíbrio.
‘Lobista’ dos tribunais
Andreson Gonçalves foi preso em 26 de novembro de 2024, durante a Operação Sisamnes, da Polícia Federal (PF). O nome do empresário surgiu em inquérito policial após a PF localizar mensagens no celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023, que indicavam a suposta participação dele em um esquema de venda de sentenças envolvendo desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Já o celular periciado de Andreson mostrou trechos de conversas entre ele e advogados e assessores de magistrados, indicando negociações de decisões judiciais, não só de Mato Grosso, mas vários estados do Brasil.
Segundo a PF, ele seria responsável por intermediar contato para que advogados obtivessem sentenças favoráveis aos seus clientes.
A situação de saúde do suposto lobista na cadeia veio a tona no ano passado após circular imagens de Andreson debilitado, quase esquelético, com costelas evidentes. Por conta disso chegou a conseguir prisão domiciliar, porém, retornou a custódia federal.
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