O juiz Marcos Terêncio Agostinho Pires, do Plantão Criminal de Cuiabá, manteve preso Aluízio Farias Batista, de 69 anos, condenado pelo acidente que matou 19 pessoas durante o carnaval de Natal (RN), em 1984. Ele foi preso na sexta-feira (26), no bairro Jardim Presidente, em Cuiabá, pela Polícia Interestadual (Polinter), 42 anos após o crime.
Após a audiência de custódia, o juiz determinou que a Justiça do Rio Grande do Norte seja comunicada sobre o cumprimento do mandado de prisão. Agora, caberá ao tribunal decidir se Aluízio será transferido para cumprir a pena no estado onde foi condenado.
Durante a audiência, Aluízio disse que tem problema cardiovascular. Por isso, o magistrado determinou que o presídio onde ele está preso garanta o atendimento médico necessário. “Nada mais, encerro a presente”, finalizou.
Segundo a Polícia Civil, ele foi localizado durante a Operação Resgate, realizada em conjunto pelas polícias civis do Rio Grande do Norte e de Mato Grosso. Aluísio foi condenado definitivamente a 21 anos de prisão e estava foragido há mais de quatro décadas.
De acordo com as investigações, o homem vivia em Mato Grosso, usando a identidade de uma pessoa que morreu em Natal, em 1996. Com o documento falso, ele chegou a renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em 2021 e seguia trabalhando como motorista. Veja abaixo o momento da prisão:
A localização do condenado foi possível após o cruzamento de dados entre os dois estados. As investigações partiram da única fotografia disponível de Aluísio, registrada na época do crime.
Durante a apuração, os policiais descobriram que o pai dele morreu em Tangará da Serra (MT), em 2021. A informação ajudou no intercâmbio de dados entre as polícias civis do Rio Grande do Norte e de Mato Grosso.
Os investigadores também identificaram que Aluísio havia emitido um documento de identidade com o nome verdadeiro em Mato Grosso, em 1995. Depois disso, ele passou a usar a identidade de uma pessoa que morreu em Natal no ano seguinte. A polícia ainda deve investigar quando ocorreu a troca de identidade.
Quando os policiais chegaram à casa dele, Aluísio apresentou inicialmente o nome falso. Após ser confrontado com as provas reunidas pela investigação, confessou a verdadeira identidade, segundo a corporação.
Em 2021, policiais militares chegaram a prender um homem em situação de rua em Natal, acreditando que ele fosse Aluísio. No entanto, um teste de identificação descartou a compatibilidade com as digitais do condenado, e o homem foi liberado.
Relembre a “Tragédia do Baldo”
A tragédia do Baldo aconteceu na madrugada de 25 de fevereiro de 1984, durante o carnaval de Natal.
Segundo a investigação da época, Aluísio Farias Batista dirigia um ônibus quando perdeu o controle do veículo na região do Baldo e atingiu integrantes de uma banda de música e foliões que participavam de um tradicional bloco carnavalesco.

Dezenove pessoas morreram e outras 12 ficaram gravemente feridas. Naquele dia, cerca de cinco mil pessoas participavam do bloco de rua. Após o acidente, o motorista fugiu e permaneceu foragido por mais de 40 anos.
Historiadores associam o episódio à redução no número de blocos de rua e de foliões no carnaval de Natal nas décadas seguintes. Após a prisão, Aluísio foi encaminhado ao sistema prisional para cumprir a pena de 21 anos de reclusão em regime fechado.
Com apoio de informações do G1 RN.